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Caso Marielle


Marielle: acusados têm prisão preventiva decretada por posse ilegal de arma

14.mar.2019 - O ex-PM Élcio Queiroz, suspeito de dirigir carro para matar Marielle Franco e Anderson Gomes, participou de audiência de custódia - REGINALDO PIMENTA/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
14.mar.2019 - O ex-PM Élcio Queiroz, suspeito de dirigir carro para matar Marielle Franco e Anderson Gomes, participou de audiência de custódia Imagem: REGINALDO PIMENTA/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

14/03/2019 17h56Atualizada em 14/03/2019 19h52

Após passarem por uma audiência de custódia na tarde de hoje, os dois acusados dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes tiveram prisão preventiva decretada por posse ilegal de armas.

O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial Élcio Queirós já estavam em prisão preventiva desde a captura na terça-feira (12) por suspeita de participarem da emboscada que matou a vereadora e o motorista. A nova decisão acontece um ano após o assassinato de Marielle e Anderson no bairro do Estácio, no centro do Rio.

No momento das prisões, policiais encontraram peças que, segundo a Polícia Civil, seriam usadas na montagem de 117 fuzis em um endereço ligado a Lessa, no Méier (zona norte carioca), e duas pistolas na casa de Queirós. Por causa disso, foi aberto um segundo inquérito que culminou na tarde de hoje com a decretação da segunda ordem de prisão preventiva.

As defesas dos acusados negam a participação deles nos assassinatos. O advogado de Lessa, Fernando Santana, negou que ele seja culpado de posse ilegal de armas. O advogado de Queirós, Henrique Telles, disse que havia só uma arma na casa de seu cliente e a situação do armamento será explicada.

Um terceiro homem, Alexandre Motta Souza, dono da casa onde as peças que seriam usadas na montagem de fuzis foram achadas, também teve sua prisão em flagrante por posse ilegal de armas convertida em prisão preventiva. Para os investigadores, os fuzis pertencem a Lessa, e Souza desempenharia o papel de "laranja" do policial militar reformado.

12.mar.2019 - A Polícia Civil disse ter apreendido peças para a montagem de 117 fuzis - MÁRCIO MERCANTE/ESTADÃO CONTEÚDO
12.mar.2019 - A Polícia Civil disse ter apreendido peças para a montagem de 117 fuzis
Imagem: MÁRCIO MERCANTE/ESTADÃO CONTEÚDO

Defesa fala em armas de brinquedo

A defesa de Ronnie Lessa disse que as peças encontradas em um endereço ligado a ele que a polícia afirmou que seriam usadas para montar 117 fuzis podem ser de armas de brinquedo. Para o advogado Fernando Santana, só a perícia será capaz de dizer para que serviriam as peças.

O defensor do suspeito afirmou que pode não ser possível montar nenhuma arma com o material e disse que as peças podem ser de brinquedos do tipo airsoft --um jogo similar ao paintball no qual competidores tentam atingir oponentes com armas que disparam pequenas esferas de plástico. À distância, elas podem ser muito similares a armas reais.

A Polícia Civil disse que especialistas em armas fizeram uma análise preliminar das peças e disseram que elas possuem poder de fogo. Afirmaram porém que podem não ser armas originais, feitas pelas empresas HK e Colt, apesar de se parecerem com armamentos dessas fábricas. A polícia acrescentou que foram achadas 500 munições de fuzil de calibre 556 no local.

Após a audiência de custódia no complexo penitenciário de Benfica, na zona norte do Rio, Lessa e Queirós foram levados de volta para a Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, onde seriam ouvidos em interrogatórios ligados ao caso Marielle.

O assassinato da vereadora completou um ano hoje. A polícia disse que, após prender os suspeitos de executar o crime, iniciou uma segunda fase da investigação para descobrir o motivo do crime e verificar se houve um ou mais mandantes.

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