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Caso Marielle


Marielle: 117 fuzis apreendidos pertencem a suspeito de ter atirado, diz DH

13.mar.2019 - Policiais encontraram dezenas de armas desmontadas, incluindo peças para fuzis e munições - MÁRCIO MERCANTE/ESTADÃO CONTEÚDO
13.mar.2019 - Policiais encontraram dezenas de armas desmontadas, incluindo peças para fuzis e munições Imagem: MÁRCIO MERCANTE/ESTADÃO CONTEÚDO

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

13/03/2019 14h34

A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirmou acreditar que o policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ser um dos autores do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), seja o dono de peças de armas que poderiam ser usadas na montagem de 117 fuzis encontradas ontem em uma casa do Méier, na zona norte carioca.

Fernando Santana, advogado de Lessa, disse que seu cliente não tem ligação nenhuma com as peças de fuzis.

Lessa e o ex-PM Élcio Queirós foram indiciados por posse ilegal de armas. Com Queirós, foram encontradas duas pistolas de uso restrito que estavam em situação ilegal. Henrique Telles, advogado de Queirós, disse que apenas uma arma foi encontrada com ele.

Os dois acusados dos assassinatos de Marielle e Anderson Gomes podem ser ouvidos ainda hoje sobre a autuação em flagrante por posse ilegal de armas. Lessa deve ser investigado por tráfico de armas também.

As peças de fuzil foram encontradas ontem na casa de Alexandre Motta Souza, amigo de Lessa. Ele afirmou que o PM reformado havia pedido que guardasse uma grande quantidade de caixas sem informar o conteúdo.

"Ele é amigo do Lessa há anos e apenas lhe fez o favor de armazenar essa encomenda em seu apartamento. Ele não sabia do que se tratava. E foi uma surpresa para ele ver o que se encontrava dentro das caixas. Ele não tem nada a ver com esse episódio lamentável envolvendo a vereadora", afirmou Leonardo da Luz, advogado de Souza.

A defesa de Lessa disse desconhecer o motivo de o amigo de Lessa ter dado essas declarações.

O advogado Leonardo da Luz também disse que seu cliente confiava em Lessa. "O Alexandre cuida do irmão dele [Lessa]. No caso, Alexandre tem a guarda do irmão dele, que tem uma deficiência mental infantil. Inclusive é pensionista do Estado", acrescentou.

Trata-se de peças para fuzis de calibre 556, das marcas Colt e HK. Segundo uma análise inicial da polícia, os kits para montagem dos 117 fuzis não estão completos, pois os canos não foram encontrados.

Os dois suspeitos devem ser enviados amanhã para audiências de custódia relacionadas aos flagrantes de posse ilegal de armas. Só depois disso, eles devem começar a ser interrogados sobre as acusações do caso Marielle.

Segundo a Polícia Civil fluminense, a apreensão é recorde na história do estado. Em 2017, 60 fuzis foram apreendidos no aeroporto do Galeão --maior quantidade registrada até então.

Como a prisão foi em flagrante, Souza seria ouvido em 24 horas em uma audiência de custódia para o juiz avaliar a necessidade de mantê-lo detido. A defesa quer a liberdade dele sob a alegação de que Souza não tem antecedentes criminais, tem residência fixa e está trabalhando.

Mandados de busca

A Polícia Civil tenta cumprir hoje 16 mandados de busca e apreensão relacionados ao caso Marielle. Ontem, a polícia afirmou ter cumprido outros 16 mandados --as peças de fuzil foram achadas em uma dessas ações.

Ao menos cinco pessoas, sendo dois policiais militares, um bombeiro e dois empresários compareceram à Divisão de Homicídios para prestar depoimentos relacionados aos mandados de busca hoje.

Essas investigações estão relacionadas à segunda fase de investigações do caso Marielle. Nela, a polícia tenta provar qual foi a motivação do crime e se houve algum mandante dos assassinatos.

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