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Caso Marielle

Marielle: família cobra transparência em investigação 3 anos após o crime

12.mar.2021 - Família de Marielle Franco concedeu coletiva de imprensa virtual em conjunto com a Anistia Internacional para revelar dossiê e entrega de petição que marcam três anos de impunidade do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes - Reprodução
12.mar.2021 - Família de Marielle Franco concedeu coletiva de imprensa virtual em conjunto com a Anistia Internacional para revelar dossiê e entrega de petição que marcam três anos de impunidade do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes Imagem: Reprodução

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

12/03/2021 12h18Atualizada em 12/03/2021 16h28

A família da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), morta a tiros na noite de 14 de março de 2018, cobra transparência das autoridades e um desfecho da investigação para que os mandantes do crime sejam identificados. O assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes completa três anos neste domingo.

O posicionamento foi dado hoje de manhã em uma coletiva de imprensa online com a participação do Instituto Marielle Franco e da Anistia Internacional Brasil para apresentar um dossiê com perguntas ainda sem resposta e uma petição com mais de 1 milhão de assinaturas cobrando por justiça. O material será entregue a Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro, e a Luciano Mattos, procurador-geral de Justiça do estado.

A gente pediu reunião com o MP para fazer as mesmas perguntas que foram apresentadas aqui [no dossiê]. Precisamos exigir um pouco mais das autoridades. Três anos é muito tempo sem resposta

Anielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco e irmã da vereadora

"É chocante constatar que o governador e o procurador recusaram fazer uma audiência. Um assassinato grave como esse de vereadora no exercício do mandato requer toda a transparência. O mundo continua de olho e querendo saber. Inclusive, quer saber por que as autoridades não vêm a público dar notícias", disse Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional Brasil.

"Seria oportunidade para mandarem mensagem clara para aqueles que tentam silenciar aqueles que lutam por justiça. Marielle não está aqui, mas seu silêncio foi recusado", completou.

O UOL questionou o MP-RJ e o governo estadual. À tarde, o MP-RJ disse que receberá representantes do Instituto Marielle Franco e da Anistia Internacional na segunda-feira (15) para prestar informações sobre o andamento das investigações. O governo estadual ainda não se posicionou. Assim que houver uma manifestação, ela será incluída nesta reportagem.

As famílias elogiaram a criação de uma força-tarefa no órgão, no começo do mês. "A gente acredita que a força-tarefa é uma ação positiva. E a gente tem confiança no trabalho. O que a gente quer é elucidação desse crime. Que seja prioridade para a democracia", defendeu Anielle Franco.

Júri popular: 'tem que manter a esperança'

As famílias de Marielle Franco e de Anderson Gomes também falaram acreditar que o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, presos há dois anos pelo crime, possam revelar os mandantes do crime em júri popular. Em fevereiro, a Justiça do Rio negou, por unanimidade, o recurso movido pelas defesas deles, mantendo a decisão de levá-los a júri popular.

Tem que manter esperança muito grande em relação a esse júri. Se esses homens forem condenados pela pena máxima, que eles possam em algum momento falar alguma coisa em relação aos mandantes [para reduzir o tempo de prisão]

Marinete Silva, mãe de Marielle Franco

"Me preocupa saber que o mandante pode ser algum político, com um certo poder, e a gente não saber quem é", observou Agatha Arnaus, esposa do motorista Anderson Gomes.

Famílias criticam mudanças no MP e na Polícia Civil

As famílias ainda criticaram as constantes mudanças no MP-RJ e Polícia Civil, órgãos responsáveis pelas investigações.

"As mudanças na DH [Delegacias de Homicídios, que conduz as investigações] e no MP atrapalham. São muitas trocas. E, às vezes, não tão bem alinhadas. Sempre que há uma troca, [a investigação] recomeça lá do início, com linhas e diligências diferentes. Isso dificulta muito", criticou Agatha.

"Enquanto esse crime brutal não for resolvido, ninguém está seguro. A mensagem que está sendo passada até agora é a mensagem da impunidade. Torna a vida de pessoas que lutam por justiça ainda mais ameaçada", complementou Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional Brasil.

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