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Operação Lava Jato

Lava Jato diz que cunhada de Vaccari atuou como operadora do PT

Marice Correa Lima em 2015 - Gisele Pimenta - 28.abr.2015/Frame/Estadão Conteúdo
Marice Correa Lima em 2015 Imagem: Gisele Pimenta - 28.abr.2015/Frame/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

23/11/2018 13h37Atualizada em 23/11/2018 14h50

Entre as 22 pessoas que tiveram a prisão decretada nesta sexta-feira (23) no âmbito da Operação Lava Jato está Marice Correa Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. No despacho em que autorizou o mandado de prisão preventiva (por cinco dias), a juíza federal substituta Gabriela Hardt disse que Marice era operadora de propinas do PT.

Marice foi presa em São Paulo na manhã desta sexta-feira pela PF (Polícia Federal) no âmbito da 56ª fase da Lava Jato, batizada como “Sem Fundos”, que investiga um esquema de corrupção envolvendo a construção da sede da Petrobras em Salvador, a Torre Pituba.

O esquema, que movimentou mais de R$ 68 milhões em propinas, teria beneficiado o PT, de acordo com as investigações. As empreiteiras Odebrecht e OAS, que comandaram o esquema, teriam pago os valores.

Segundo a Lava Jato, Marice teria sido responsável por arrecadar “significativas quantias de vantagens indevidas destinadas à agremiação partidária em decorrência do empreendimento da Torre Pituba”. Ela se reuniu com representantes da OAS para ajustar a maneira como seriam feitos os pagamentos em favor do PT.

Os investigadores apontam que as vantagens indevidas destinadas ao partido somam mais de R$ 2,8 milhões. Desse valor, R$ 1,7 milhão foram dados a Marice, que repassou ao PT por meio de doações oficias, em uma tentativa de dar aparência legal à operação. O restante foi entregue em dinheiro vivo para a cunhada de Vaccari.

“[Ela] foi responsável por receber pessoalmente em sua residência as vantagens indevidas pagas em espécie para o Partido dos Trabalhadores, parte delas entregues por Alberto Youssef”, traz o despacho da juíza, citando o doleiro que é um dos colaboradores da Lava Jato.

Procurada pela reportagem, a defesa de Marice ainda não se manifestou. Em 2015, Marice chegou a ser presa por engano pela Lava Jato.

Em nota, o PT disse que, "mais uma vez, a Lava Jato faz acusações sem provas". "E tenta criminalizar doações eleitorais feitas dentro da lei", complementa o partido. "O combate à corrupção exige seriedade de investigadores e juízes. Não pode continuar funcionando como espetáculo de mídia e perseguição política", traz o comunicado.

A Lava Jato também teve como alvo de prisão temporária --por até cinco dias-- o publicitário Valdemir Garreta, que já atuou em campanhas do PT. Segundo os investigadores, ele também teria atuado como operador do partido e arrecadado valores provenientes da Odebrecht.

Haveria registros de “intenso contato telefônico” entre Garreta e membros da Odebrecht e da OAS. Teriam passado por suas mãos cerca de R$ 7,4 milhões em propina relacionada à Torre Pituba.

O publicitário teria realizado 871 ligações e enviado 1.032 mensagens de texto ao ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. “Fora outras centenas de ligações com telefones de titularidade da OAS”, traz o despacho da juíza. “Destaca-se terem sido encontradas, inclusive, mensagens de texto nas quais Valdemir Garreta e Léo Pinheiro discutiam a sucessão da presidência da Petros [fundo de pensão da Petrobras]”.

A defesa de Garreta foi procurada pela reportagem e disse que irá se manifestar posteriormente.

Esquema

As obras da Torre Pituba foram pagas pelo fundo Petros, e a Petrobras se comprometeu a alugar o edifício por 30 anos --o aluguel custaria cerca de R$ 6,8 milhões por mês. Em valores corrigidos pela inflação, o valor total do empreendimento chega a mais de R$ 1,3 bilhão.

Segundo as investigações, existiriam fraudes nos contratos das obras da Torre Pituba, tocadas pela OAS e pela Odebrecht. “A investigação evidenciou que, para a contratação das empreiteiras, foram acionadas outras duas empresas (Carioca e Engeform) integrantes do cartel que atuava na Petrobras para apresentar propostas-cobertura no procedimento seletivo”, diz a Lava Jato.

Além de operadores ligados ao PT, a operação também tem como alvos executivos das empresas que se envolveram na construção do empreendimento, além de intermediadores, agentes públicos da Petrobras e então dirigentes do fundo de pensão Petros.

Segundo a força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) na Lava Jato, "o esquema de contratações fraudulentas e pagamentos de vantagens indevidas se estendeu de 2009 a 2016".

Batizada de “Sem Fundos”, o nome da operação refere-se à perda do fundo de pensão da Petrobras, “assim como ao fato de os crimes investigados parecerem revelar um ‘saco sem fundos’”, segundo a PF.

Procuradas pela reportagem, OAS, Engeform e PT ainda não se manifestaram a respeito da operação. A Carioca informou que não comentaria as acusações.

A Odebrecht apontou que “continua colaborando com a Justiça e reafirma o seu compromisso de atuar com ética, integridade e transparência”.

Em nota, a Petrobras disse ser “reconhecida pelas autoridades, no Brasil e no exterior, como vítima dos atos desvendados pela Operação Lava Jato”. “A companhia reforça a informação, divulgada pelos procuradores da República, de que a nova fase da Operação Lava Jato teve início a partir de uma investigação que a própria empresa realizou internamente e cujos relatórios com os resultados foram enviados ao Ministério Público Federal”, comentou a empresa.

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