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Operação Lava Jato


Moro foi avisado um dia antes sobre operação que prendeu Temer

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

22/03/2019 12h55Atualizada em 22/03/2019 16h21

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi comunicado da ação da Operação Lava Jato que prendeu o ex-presidente Michel Temer (MDB) um dia antes de os policiais federais efetuarem as prisões. A informação foi apurada pelo UOL com integrantes da investigação. Apesar de não haver obrigatoriedade de que o ministro seja comunicado de cada operação, é praxe que a direção-geral da Polícia Federal informe o ministro da Justiça sobre a realização de operações de grande repercussão.

A Operação Descontaminação foi deflagrada ontem pela Polícia Federal e resultou na prisão do ex-presidente Michel Temer, suspeito de ser o líder de uma organização criminosa que, segundo as investigações da Força Tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro, foi responsável por receber pelo menos R$ 1,8 bilhão em propina pagas por empresas com contratos governamentais. Ele nega seu envolvimento nos crimes.

O UOL apurou que, para além da praxe, Moro foi informado da operação envolvendo a prisão de Temer porque a PF estava enfrentando dificuldades para localizar alguns dos alvos da operação. O juiz federal Marcelo Bretas, que decretou as prisões, chegou a autorizar a interceptação de oito telefones ligados a Michel Temer.

A informação sobre o momento em que Moro recebeu a informação sobre a operação de ontem ganha destaque após as especulações de que a ação teria sido uma resposta do ministro às declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-SP).

Isso porque um dos alvos da operação, o ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil Moreira Franco também foi preso durante a operação. Ele é sogro de Maia.

Na véspera da operação, Rodrigo Maia e Moro trocaram farpas públicas e mensagens de texto por conta do andamento do projeto anti-crime apresentado pelo ministro.

Na última quinta-feira (14), Maia havia determinado a criação de um grupo de trabalho para avaliar o projeto de Moro. Na prática, a medida prolonga a tramitação do projeto na Casa, ao contrário do que Moro queria.

Na madrugada de quarta-feira (20), Moro enviou mensagem de texto para Maia cobrando uma posição sobre a tramitação do projeto. Irritado, Maia criticou o projeto classificando-o como um "copia e cola", em referência ao projeto apresentado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Maia também disse que Moro "confunde as bolas".

"O presidente Bolsonaro é quem tem que dialogar comigo. Ele está confundindo as bolas, ele não é presidente da República, ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele. Ele está passando daquilo que é a responsabilidade dele", disse Maia.

Anteriormente, Moro havia dito que iria conversar com Maia sobre a tramitação do pacote na Câmara. Moro, por sua vez, rebateu as declarações de Maia.

Internamente, a ideia de que a prisão de Moreira Franco tenha sido uma retaliação a Maia é vista com descrédito junto à equipe de Moro e à Força Tarefa da Lava Jato no Rio.

Nos bastidores, o argumento é de que, mesmo que houvesse uma determinação de Moro nesse sentido, o que eles negam que tenha ocorrido, seria impossível mobilizar a estrutura da PF em tão pouco tempo.

Além disso, o mandado de prisão contra Temer e Moreira Franco foi expedido na terça-feira (19), um dia antes da discussão entre Maia e Moro, e dois dias antes da deflagração da operação. Segundo o MPF, o pedido havia sido feito por eles no dia 15.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas não obteve retorno.

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