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Operação Lava Jato

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1 mês

Moro diz que cabem críticas à Lava Jato, mas 'justiça foi feita'

Sergio Moro - Flickr/Palácio do Planalto
Sergio Moro Imagem: Flickr/Palácio do Planalto

Do UOL, em São Paulo

01/03/2021 20h39

O ex-juiz Sergio Moro disse hoje que a Operação Lava Jato —responsável por investigar um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro no Brasil— "não foi perfeita e cabem críticas", mas considera que "justiça foi feita". A declaração ocorreu durante live realizada pela Ceap Brasil, e conduzida pelo promotor de Justiça Affonso Ghizzo Neto, do MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina).

"Quantos escândalos de corrupção vimos no passado e, às vezes, até vemos no presente, fazemos um prognóstico 'Isso não vai dar em nada?', 'Isso vai dar em impunidade', 'Essa pessoa é muito poderosa'. Mas a Lava Jato foi uma exceção", afirmou Moro, traçando uma comparação entre o antes e o depois da operação.

"A Lava Jato foi em um período que... [ela] não foi perfeita, cabem críticas, evidentemente, mas foi em um período no qual a justiça foi feita. E as pessoas que saquearam os cofres públicos, seja pagando ou recebendo subornos, viram a face da Justiça", completou Moro, em seguida.

Durante a conversa, Moro disse considerar um "divisor de águas" a investigação que terminou com a prisão de vários empresários e políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"A Lava Jato, na esteira do caso Mensalão, é um divisor de águas no sentido de que a impunidade da grande corrupção, ela não se tornou mais a regra. As pessoas foram identificadas, tiveram a culpa comprovada e começaram a cumprir penas", pontuou.

Sem citar nomes, Moro afirmou que muitas pessoas poderosas foram presas graças à operação, mas ressaltou que nenhum juiz julga por vingança. "Isso é bobagem. Nenhum juiz julga por vingança, ou pensando em alguma coisa inapropriada. Ele julga pensando nas provas, na Lei."

Mensagens vazadas

No início de fevereiro, a maioria da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu liberar o compartilhamento da íntegra das mensagens vazadas da Operação Lava Jato com a defesa do ex-presidente Lula. Procuradores que integravam a força-tarefa haviam entrado com um recurso para negar esse acesso e foram derrotados.

Sobre essas mensagens, Moro declarou que tem visto "uma série de fantasias e narrativas". "Essas mensagens foram tomadas de celulares de procuradores da República. Houve até mesmo a tentativa de prisão do meu celular, mas isso não foi logrado. Existe todo um problema na origem dessas mensagens. O que eu tenho visto é uma série de fantasias, narrativas. Utilizam-se alguns adjetivos, como barbárie, para ocultar a falta de fatos", protestou Moro.

"A minha imparcialidade no processo é demonstrada pelo fato de nós termos ali 20% das pessoas que foram absolvidas. Pessoas acusadas na ação do ex-presidente [Lula], por exemplo, foram absolvidas. O próprio ex-presidente foi absolvido por mim de uma outra acusação. Decisões feitas por mim foram mantidas [em instâncias superiores]."

Informalidade

Ainda durante a live, Moro disse ser comum receber advogados e promotores envolvidos em processos, e que o diálogo entre eles é mais informal do que em outros países.

"O que nós sabemos, na praxe brasileira, é que o juiz recebe advogados, promotores. Nós temos uma praxe jurídica um pouco mais informal do que existem em outros países. Então, a troca de diálogo entre pessoas envolvidas no processo não é algo por si só é criminoso. Eu, por exemplo, já recebi advogado pedindo para que o cliente dele preso em flagrante fosse colocado em liberdade provisória."

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