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Operação Lava Jato


Brasil tem presos 2 de seus 7 ex-presidentes desde a redemocratização

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
9.abr.2015 - O ex-presidente Lula recebe o vice-presidente da República, Michel Temer, no Instituto Lula em São Paulo Imagem: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

2019-03-21T12:42:26

21/03/2019 12h42

Com a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) na manhã de hoje, o Brasil tem dois de seus sete ex-presidentes presos após a redemocratização --o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre pena na sede da Polícia Federal em Curitiba desde abril do ano passado.

Temer foi preso sob suspeita de ter recebido propina por meio de um contrato da Eletronuclear, estatal responsável pela construção de Angra 3. A defesa dele entrará com recurso na Justiça para que seja solto. Já o MDB fala em Justiça "açodada" e diz que o inquérito não demonstra irregularidade do ex-presidente.

Veja o momento em que Temer é preso em São Paulo

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Temer foi alvo de cinco investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) que foram enviadas à Justiça de primeira instância quando ele deixou o cargo. Nelas, Temer é investigado por corrupção, organização criminosa, obstrução de justiça e lavagem de dinheiro. Ele perdeu o foro privilegiado após deixar a Presidência da República.

O ex-presidente Lula é condenado em duas ações penais da Operação Lava Jato, acumulando 25 anos em penas pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, nas ações envolvendo um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia, ambas cidades no estado de São Paulo.

Entre os sete ex-presidentes desde a redemocratização do país, somente Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco (morto em 2011) e José Sarney não foram envolvidos em processo de impeachment ou presos após seus mandatos.

O ex-presidente Fernando Collor de Mello (PROS-AL), que sofreu um impeachment em 1992, é réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e comando de organização criminosa também no âmbito das investigações da Lava Jato, mas não foi preso.

Dilma Rousseff (PT), que também perdeu mandato em 2016 em um processo de impeachment, nunca foi presa desde que deixou o cargo. Entretanto, ela é ré no âmbito da Lava Jato sob a acusação de organização criminosa. Temer, vice-presidente de Dilma, assumiu a Presidência após o afastamento dela.

O ex-presidente José Sarney (MDB) chegou a ser denunciado na Lava Jato em 2017, mas a denúncia foi arquivada por causa da idade dele --após os 70 anos, o prazo para crimes prescreverem é reduzido pela metade. Em 2016, o ministro do STF Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo, negou um pedido para a prisão domiciliar de Sarney por suposta interferência nas investigações da Lava Jato.