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Operação Lava Jato


Defesa de Lula diz que Léo Pinheiro foi pressionado para mudar versão

O ex-oresidente Lula durante entrevista - Marlene Bergamo/Folhapress
O ex-oresidente Lula durante entrevista Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Carlos Iavelberg

Do UOL, em São Paulo

30/06/2019 11h58

Após novos vazamentos de conversas entre procuradores da Lava Jato, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse hoje que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, foi pressionado para mudar sua versão e incriminar o petista no caso do tríplex.

Publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, em parceria com site The Intercept Brasil, a reportagem diz que o empreiteiro que incriminou Lula no caso que o levou à prisão "foi tratado com desconfiança pela Operação Lava Jato durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações".

De acordo com a reportagem, as mensagens vazadas indicam que Léo Pinheiro "só passou a ser considerado merecedor de crédito após mudar diversas vezes sua versão sobre o apartamento tríplex de Guarujá (SP) que a empresa afirmou ter reformado para o líder petista".

"A reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo reforça a forma ilegítima e ilegal como foi construída a condenação do ex-presidente Lula no chamado caso do 'triplex'", disse o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o petista, em nota.

"Conforme histórico do caso, Léo Pinheiro, que ao longo do processo nunca havia incriminado Lula, foi pressionado e repentinamente alterou sua posição anterior em troca de benefícios negociados com procuradores de Curitiba, obtendo a redução substancial de sua pena", afirmou Zanin.

A defesa de Lula disse ainda que na época chegou a pedir apuração das "informações divulgadas pela imprensa, dando conhecimento de que Léo Pinheiro estaria sendo forçado a incluir artificialmente o nome do ex-presidente Lula no seu acordo de delação". "Tais procedimentos, no entanto, foram sumariamente arquivados", declarou Zanin.

Ainda segundo a reportagem da Folha, as negociações envolvendo uma possível delação do empreiteiro estava parada, quando a "Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa de Curitiba aceitaram retomá-las em março de 2017, quando o processo aberto para examinar o caso do tríplex estava se aproximando do fim e Léo Pinheiro se preparava para ser interrogado por Moro".

O advogado de Lula afirmou que, ao ler as notícias sobre a negociação da deleção premiada de Léo Pinheiro, pediu a suspensão do depoimento do empreiteiro porque "a defesa sequer tinha conhecimento da sua real situação jurídica".

O pedido da defesa, porém, foi negado pelo então ex-juiz Sergio Moro, permitindo que Leo Pinheiro pudesse prestar depoimento.

Quando prestou depoimento no caso, em 20 de abril, Léo Pinheiro afirmou que tinha uma conta informal para administrar acertos com o PT e acusou Lula de orientá-lo a destruir provas de sua relação com o partido. Declarações dadas pela primeira vez.

Em depoimento, Léo Pinheiro disse que Lula pediu para que destruísse provas

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A nota da defesa do petista termina dizendo que "tais elementos mostram que jamais houve intenção de apurar a verdade dos fatos, mas apenas a de impor a Lula uma condenação sem qualquer prova de culpa e desprezando as provas de inocência que apresentamos durante o processo".

"As novas revelações se somam a tantas outras que mostram a necessidade de ser anulado todo o processo e a condenação imposta a Lula, com o restabelecimento de sua liberdade plena", termina o texto.

Outro lado

Segundo a Folha, a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba afirmou que o material apresentado pela reportagem não permite constatar o contexto e a veracidade do conteúdo.

"No caso de integrantes da OAS, as negociações foram conduzidas por muitos procuradores que atuavam na Procuradoria-Geral da República e na força-tarefa da Lava Jato, que sempre pautam suas ações pessoais e profissionais pela ética e pela legalidade", disse a força-tarefa em nota.

A Procuradoria-Geral da República não se manifestou sobre as mensagens.

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