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Ex-secretário do governo Temer é preso em nova etapa da Lava Jato do Rio

O ex-secretário Nacional de Justiça Astério Pereira dos Santos - Marcelo Camargo - 12.jun.2017/Agência Brasil
O ex-secretário Nacional de Justiça Astério Pereira dos Santos Imagem: Marcelo Camargo - 12.jun.2017/Agência Brasil

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

05/03/2020 07h11Atualizada em 05/03/2020 11h23

A PF (Polícia Federal) prendeu hoje Astério Pereira dos Santos, ex-secretário nacional de Justiça do governo Michel Temer (MDB). Procurador aposentado, ele estaria envolvido em "uma rede de pagamentos de propina relacionada às atividades da SEAP (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária)", segundo as investigações.

De acordo com a Receita Federal, que também participa da operação, houve "desvio de recursos públicos por meio de favorecimento em contratação de empresa fornecedora de serviços" da SEAP.

Astério chefiou a secretaria na gestão de Rosinha Garotinho no governo do Rio de Janeiro entre 2003 e 2006. A ação de hoje faz parte das investigações da Operação Lava Jato no Rio. Filho de Astério, o advogado Danilo Botelho também foi alvo de mandado de prisão. O nome da operação de hoje é Titereiro.

A PF chegou a apreender hoje R$ 118 mil realizada em uma sala utilizada pelo ex-secretário em um escritório de advocacia.

A PF apreendeu R$ 118 mil em sala usada por Astério em escritório de advocacia - Divulgação/PF
A PF apreendeu R$ 118 mil em sala usada por Astério em escritório de advocacia
Imagem: Divulgação/PF

Além dos dois, outras sete pessoas são alvo de mandado de prisão. Ao menos oito pessoas já foram presas, segundo a PF. Os nomes dos demais não foram divulgados.

Astério é alvo de mandado de prisão preventiva —quando não há prazo. A reportagem ainda não localizou a defesa dele.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o esquema envolveria o pagamento de propinas a conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio de Janeiro.

Polícia Federal encontrou cerca de R$ 100 mil em cofre em posto de gasolina em Duque de Caxias - Divulgação/PF
Polícia Federal encontrou cerca de R$ 100 mil em cofre em posto de gasolina em Duque de Caxias
Imagem: Divulgação/PF

"O dinheiro recebido por meio desse esquema de corrupção estaria sendo dissimulado por meio do uso de pessoas jurídicas, laranjas e familiares dos envolvidos", diz a PF.

Segundo a Receita, "a partir de análises fiscais, foi possível identificar transações imobiliárias e empréstimos entre alguns dos investigados que serviram de suporte para seus acréscimos patrimoniais". A movimentação, para o órgão, porém, foi "suspeita".

Na operação, a PF apreendeu cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo em um posto de gasolina, em Duque de Caxias. O estabelecimento tem como sócios dois alvos presos na operação de hoje. Entre 2005 e 2012, foram encontradas transferências de quase R$ 3 milhões ligadas ao esquema, de acordo com os investigadores.

A Procuradoria deverá oferecer denúncia contra 15 pessoas que estariam envolvidas no esquema, que será detalhado pela força-tarefa da Lava Jato em pronunciamento à imprensa nesta tarde.

No total, o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelas ações da Lava Jato no Rio, expediu seis mandados de prisão preventiva e três de prisão temporária, válidos por cinco dias. Há também outros 34 mandados de busca e apreensão.

Procurados, o TCE e a SEAP ainda não se manifestaram a respeito do esquema de corrupção mencionado pelo MPF e pela PF.

O nome da operação de hoje, Titereiro, segundo a Receita, é "uma alusão à pessoa que move os bonecos de marionete".

Operação Lava Jato