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Caso Marielle


Marielle: suspeitos alegam inocência e defesa descarta delação premiada

O ex-PM Élcio Queirós (à esq.) e o policial militar reformado Ronnie Lessa (à dir.), acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes - Arte/UOL
O ex-PM Élcio Queirós (à esq.) e o policial militar reformado Ronnie Lessa (à dir.), acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes Imagem: Arte/UOL

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

13/03/2019 15h10

Os advogados do policial militar da reserva Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Queirós, acusados dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes, descartaram a possibilidade de participação em delação premiada.

Segundo Fernando Santana, advogado de Lessa, e Henrique Telles, defensor de Queirós, os acusados são inocentes dos crimes e, por isso, qualquer acordo de delação premiada não faria sentido.

A possibilidade de delação premiada foi levantada ontem pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), durante entrevista à imprensa para detalhar as prisões da dupla na madrugada de ontem.

"Como eu vou trabalhar com delação premiada, se ele [Lessa] nega veementemente que tenha feito qualquer tipo de crime?", disse Santana, ressalvando porém que não abrirá mão de nenhum instrumento jurídico que possa ajudar seu cliente.

Defesa de ex-PM diz ter álibi

Telles disse que Queirós tem um álibi e será capaz de provar que não estava no local do crime no momento em que ele ocorreu.

Os dois advogados disseram que até agora só tiveram acesso parcial aos inquéritos contra seus clientes.

A acusação do Ministério Público, baseada em investigações da Polícia Civil, contra a dupla se baseia em uma série de evidências que mostrariam a participação deles nos assassinatos do dia 14 de março de 2018. Entre elas, estão monitoramentos de navegação na internet feitas pelos suspeitos e o mapeamento do deslocamento do veículo usado no crime.

Não há, porém, uma prova testemunhal ou material que associe diretamente Lessa e Queirós ao local do crime.

Posse de armas

Os advogados também negaram que os dois sejam culpados de posse ilegal de armas.

A polícia disse ter encontrado ontem peças que seriam usadas na montagem de 117 fuzis que pertenceriam a Lessa e duas pistolas em situação irregular que seriam de Queirós. Os dois foram indiciados por posse ilegal de armas e Lessa ainda deve responder por tráfico de armamentos.

Depoimentos

Lessa e Queirós foram presos na madrugada de ontem e levados para a Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca.

Pouco antes das 15h de hoje, os advogados afirmaram que eles não haviam passado por interrogatórios.

A Polícia Civil disse que os dois serão ouvidos inicialmente pelas prisões em flagrante por posse ilegal de armas. Depois disso, devem passar por audiências de custódia amanhã.

Somente após esse processo inicial começarão a passar por interrogatórios específicos sobre o caso Marielle. Eles devem ser transferidos em breve para o presídio de Bangu 1 na zona oeste do Rio.

Enquanto estão na Delegacia de Homicídios são mantidos em celas separaras. Santana levou a Lessa uma muleta, pois ele usa uma prótese na perna após ter sido vítima de um atentado a bomba no ano passado.

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