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Caso Marielle


Mulher de PM pediu retirada de caixa, mas nela não havia armas, diz defesa

Igor Mello

Do UOL, no Rio

03/10/2019 13h37

Resumo da notícia

  • Polícia diz que mulher de PM é mentora de descarte de armas
  • Ela pediu a retirada de caixa com objetos pessoais em imóvel, diz advogado
  • Vídeo mostra suspeito deixando imóvel com caixa
  • Defesa de suspeito diz desconhecer que houvesse armas na caixa

O advogado Fernando Santana, responsável pela defesa de Elaine Pereira Figueiredo Lessa, mulher do policial militar reformado Ronnie Lessa, confirmou que ela pediu a retirada de uma caixa de um apartamento no Pechincha, na zona oeste do Rio. Porém, o advogado nega que o objetivo fosse obstruir as investigações e diz que na caixa havia objetos pessoais, e não armas. Segundo a polícia, o imóvel seria usado por Lessa como depósito de armas e oficina.

Elaine e outros três suspeitos foram presos na manhã de hoje no Rio de Janeiro. A polícia crê que ela foi a mentora do descarte de armas do marido, que é um dos acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes em março de 2018. O armamento foi jogado no mar da Barra da Tijuca, também na zona oeste carioca, de acordo com investigações.

Segundo o delegado Daniel Rosa, titular da Delegacia de Homicídios da Capital, entre as armas descartadas, pode estar a submetralhadora HK MP5 usada para matar Marielle e Anderson. "Tem uma probabilidade de ela ter sido descartada nesse arremesso. Além dela, foram outros fuzis. Também carregadores, lunetas, bandoleiras", explicou. A polícia não localizou, contudo, o armamento que teria sido descartado no mar.

Santana é responsável ainda pela defesa de Ronnie Lessa e do irmão de Elaine, Bruno Figueiredo, também preso na manhã de hoje. Segundo o advogado, a retirada dos objetos, um dia após a prisão de Lessa, tinha o objetivo de entregar o apartamento, que teria sido alugado para os pais de policial reformado.

O defensor negou que dentro da caixa houvesse armas, como acusa o MP. "Eram objetos pessoais. Uma única caixa, que inclusive foi levada para a casa dela", explicou.

A polícia ainda cumpriu mandado de prisão contra Márcio Montavano, o Márcio Gordo, e Josinaldo Freitas, o Di Jaca. Eles são suspeitos de ajudar a ocultar provas, entre elas, a arma usada no crime.

Vídeo mostra suspeito retirando caixa

A Delegacia de Homicídios da Capital divulgou hoje imagens de câmera de segurança em que Montovano aparece deixando o local com uma caixa (veja o vídeo acima). O irmão de Elaine foi ao apartamento com Mantovano e entregou o material a Josinaldo Freitas, o Djaca, segundo as investigações.

A polícia diz que foi Josinaldo quem contratou um barqueiro na praia da Barra da Tijuca e descartou caixas e bolsas em alto mar. Os investigadores dizem que foram pagos R$ 400 ao barqueiro.

O advogado Guilherme Palpério, responsável pela defesa de Mantovano, também confirmou que o cliente retirou a caixa do apartamento a pedido da mulher de Lessa. Contudo, negou que ele soubesse que teriam armas no compartimento. Segundo o advogado, Mantovano era amigo da família e foi ajudar a remover objetos pessoais do imóvel.

"A defesa desconhece essa informação de que haveria armas dentro da caixa", disse. "Não caberiam ali fuzis, na minha ótica. Ele reconhece que pegou a caixa e não sabia o que tinha dentro. Tinham tralhas que já estavam separadas: um ventilador, um ursinho, acho que uma vassoura também. Dali entregou a caixa para a Elaine."

A reportagem do UOL tenta contato com a defesa de Josinaldo Freitas.

As investigações revelam que o imóvel no Pechincha é o segundo local usado como depósito e oficina para a montagem de armas por Ronnie Lessa. Durante a operação que o levou à sua prisão, em março passado, os investigadores encontraram 117 fuzis incompletos na casa de Alexandre Mota de Souza, amigo do policial, no Méier, na zona norte do Rio.

A Polícia Civil diz acreditar que exista ao menos mais um local utilizado por Lessa com essa finalidade, já que parte do material jogado ao mar pelo grupo não estava no apartamento do Pechincha.

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UOL Notícias
Errata: o texto foi atualizado
O nome da suspeita presa é Elaine Pereira Figueiredo Lessa, e não Eliane, conforme inicialmente informado.

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