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Operação Lava Jato


Lava Jato: operação mira familiares e pessoas ligadas a ex-diretor da Dersa

Mateus Bruxel/Folhapress
Imagem: Mateus Bruxel/Folhapress

Do UOL*, em São Paulo

29/10/2019 08h30Atualizada em 29/10/2019 11h38

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal cumprem na manhã de hoje onze mandados de busca e apreensão em etapa da Operação Lava Jato. O alvo é o ex-diretor da estatal Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, em uma possível prática de lavagem de dinheiro envolvendo familiares e prestadores de serviço.

Denominada Pasalimani, a operação cumpre os mandados nas cidades de São Paulo, Taubaté, Ubatuba, Taboão da Serra e Itapetininga. Segundo nota do MPF, as investigações apontam a participação de Paulo Vieira de Souza na gestão de pessoas jurídicas usadas para lavagem de dinheiro e ocultação de documentos.

"A operação deflagrada na presente data decorre do aprofundamento das investigações quanto a atos de lavagem dos recursos ilícitos obtidos a partir dos delitos antecedentes já imputados a Paulo Vieira de Souza, em especial peculato e corrupção", diz o comunicado. Procurada, a defesa de Souza disse que não irá se manifestar no momento.

"O foco das investigações na presente fase são atos de lavagem cometidos dentro do território nacional, com o auxílio de terceiros ligados a ele e por intermédio sobretudo do uso de pessoas jurídicas".

De acordo com o MPF, houve cumprimento no endereço residencial de Paulo Vieira de Souza e Ruth Arana de Souza, bem como no de sua filha Priscila, além do endereço da pessoa jurídica Magna Freitas Carvalho Recursos Humanos e de sua administradora, bem como nos endereços de um irmão de Paulo, de um motorista da família, do gerente e do contador do Hotel Giprita, alem do endereço do próprio hotel, e ainda no endereço de prestador de serviço que auxilia no gerenciamento de pessoas jurídicas administradas por Paulo, como a P3T Empreendimentos e Participações Ltda.

Paulo Vieira de Souza já foi condenado pela Justiça Federal em São Paulo a mais de 145 anos de prisão por ter comandado esquema de desvio de verbas públicas, bem como a mais de 27 anos de prisão por ter atuado na formação de cartel constituído por construtoras para obras da Dersa no Rodoanel Sul e no Sistema Viário. Responde também a processo, na Justiça Federal de São Paulo, por crimes de corrupção e lavagem internacional.

O nome da operação, Pasalimani, faz referência à baía grega (Baía de Zea ou Pasalimani), na qual, segundo o MPF, foram disputadas as primeiras provas de natação das Olimpíadas modernas, em 1896. "O principal investigado, Paulo Vieira de Souza, é notório praticante de triatlo, modalidade composta por natação, corrida e ciclismo", diz a Procuradoria.

*Com Estadão Conteúdo

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