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Novo tipo de fungo que 'come pele' dizima salamandras da Holanda

Em Washington

2013-09-03T17:18:36

03/09/2013 17h18

Um novo tipo de fungo está dizimando populações de salamandras na Holanda em um ritmo alarmante, afirmaram cientistas europeus.

A causa do desaparecimento destes anfíbios de intensas cores amarela e preta, dos quais, desde 2010, restam apenas 4% da população original, é um fungo chamado Batrachochytrium salamandrivorans, informaram cientistas nas Atas da Academia de Ciência dos Estados Unidos (PNAS, na sigla em inglês).

Este fungo parece estar relacionado com outro, o Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), acusado de matar mais de 40% das espécies de anfíbios em algumas partes de América Central, Áustria, Europa e América do Norte, dizimando 200 espécies no mundo. O fungo Bd - que vive na água ou no solo - causa uma doença infecciosa chamada quitridiomicose, que afeta os anfíbios e é letal entre algumas rãs.

"Em várias regiões, inclusive no norte da Europa, os anfíbios pareciam capazes de coexistir com o Bd", disse à autora do estudo An Martel, da Universidade de Ganthe, na Bélgica.

"Portanto é extremamente preocupante que tenha aparecido um novo fungo que causa mortalidade maciça em regiões onde as populações de anfíbios antes eram saudáveis", acrescentou.

Os cientistas estão averiguando se o novo tipo de fungo chegou ao país vindo de outra parte do mundo.

"Temos que saber se este é o caso, porque é tão virulento e qual será seu impacto nas comunidades de anfíbios em escala local e global", disse o coautor do estudo, Matthew Fisher, do Imperial College de Londres, na Inglaterra.

"Segundo mostra nossa experiência com o BD, as doenças por fungos podem se espalhar entre as populações de anfíbios em todo o mundo muito rapidamente. Temos que agir com urgência para determinar que populações estão em perigo e qual é a melhor maneira de protegê-las".

O fungo parece se espalhar entre as salamandras em contato direto, mas não parece infectar os sapos parteiros, vulneráveis à quitridiomicose, disseram os cientistas. Até agora, o fungo parece limitado às espécies da Holanda.

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