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Operação Lava Jato


Citado na Lava Jato, presidente do Banco Paulista anuncia renúncia ao cargo

BRUNO ROCHA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Policiais chegam em agência do Banco Paulista na 61ª fase da Lava Jato Imagem: BRUNO ROCHA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

2019-05-24T16:33:47

2019-05-24T20:23:13

24/05/2019 16h33Atualizada em 24/05/2019 20h23

O banqueiro Alvaro Augusto Vidigal não é mais o diretor-presidente do Banco Paulista. Citado em depoimento colhido por procuradores da Operação Lava Jato, ele renunciou ao cargo mais alto da diretoria da instituição financeira do qual é sócio majoritário.

A saída de Vidigal da diretoria do Banco Paulista e também de seu conselho de administração foi confirmada hoje pela assessoria de imprensa da instituição financeira. O banco não esclareceu o motivo da renúncia. "O Banco Paulista confirma a renúncia de Alvaro Augusto Vidigal a todos os cargos de administração que exercia na instituição", informou em nota encaminhada ao UOL.

O Banco Paulista foi o principal alvo da 61ª fase da Lava Jato, deflagrada no último dia 8. De acordo com investigadores, a instituição ajudou executivos ligados ao setor de pagamento de propinas da Odebrecht a lavar R$ 48 milhões entre 2009 e 2015 pagando por serviços não prestados.

Três funcionários do banco já foram presos preventivamente por conta operação. São eles: Gerson Luiz Mendes de Brito (diretor-geral do banco na época dos fatos), Tarcísio Rodrigues Joaquim (diretor da área de câmbio na época) e Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto (então funcionário da mesa de câmbio).

Apesar de não ter sido preso, Vidigal conhecia e autorizava as operações que levaram seus empregados à prisão, de acordo com o depoimento de um ex-executivo do setor de propinas da Odebrecht revelado ontem pelo UOL.

"Sempre que existia alguma operação que seria de vultosa devolução, o dono do banco era comunicado e só era efetuada depois da autorização dele. O dono do banco, o nome dele é Álvaro Augusto Vidigal", disse Olívio Rodrigues Júnior, citado pelo MPF como prestador de serviço para o "setor de propinas" da Odebrecht, em depoimento prestado em fevereiro.

Ainda segundo Rodrigues, toda a diretoria do banco também aprovava de forma verbal as transações supostamente ilegais. Fontes ligadas à Lava Jato confirmam que a conduta da diretoria da instituição financeira está sendo analisada.

Além de diretor-presidente e presidente do conselho de administração do Banco Paulista, Vidigal foi presidente da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) entre 1991 e 1996. Mesmo afastado na administração do banco, ele ainda detém quase 68% das ações preferenciais (que dão direito a voto em assembleia) da instituição. Seu filho Alvaro Augusto de Freitas Vidigal tem outros 10% das ações e é integrante da diretoria e do conselho de administração do Banco Paulista.

61ª fase da Lava Jato prende três executivos do Banco Paulista

Band News

Nova prisão de ex-funcionário

Também hoje, a Justiça Federal do Rio decretou a prisão preventiva de Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, que já trabalhou na mesa de câmbio do Banco Paulista e está preso desde 8 de maio em Curitiba por conta da 61ª fase da Lava Jato. A nova prisão atendeu uma solicitação do MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro).

De acordo com o MPF-RJ, Barreto realizou operações ilícitas envolvendo US$ 3,8 milhões (mais de R$ 15 milhões) entre 2011 e 2016. Ele seria parte de um grande esquema de lavagem de dinheiro envolvendo doleiros investigados na Lava Jato.

Procurada, a defesa de Barreto não se pronunciou. O Banco Paulista informou que "repudia quaisquer atos de ilegalidade" e que investigações não impactam "as atividades operacionais nem a liquidez e solidez da instituição, que continua funcionando normalmente".

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