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Operação Lava Jato


Esquema no Banco Paulista movimentou R$ 48 milhões, diz MPF

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

2019-05-08T10:55:09

2019-05-08T18:17:43

08/05/2019 10h55Atualizada em 08/05/2019 18h17

O esquema de lavagem de dinheiro investigado pela 61ª fase da Operação Lava Jato movimentou cerca de US$ 100 mil por mês oriundos de corrupção envolvendo a Odebrecht entre 2009 a 2015, o que teria movimentado R$ 48 milhões no período. A informação foi divulgada na manhã de hoje pelo procurador da República Julio Motta Noronha, integrante da força-tarefa da Lava Jato do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná).

Três funcionários do Banco Paulista foram presos na manhã de hoje e foram expedidos 41 mandados de busca e apreensão em São Paulo, em Porto Alegre e no Rio. Esta é a primeira etapa da Lava Jato em que são cumpridos mandados dentro da sede de um banco.

Delações do ex-executivo da Odebrecht Olívio Rodrigues revelaram a participação do Banco Paulista no esquema para lavagem de dinheiro. O próprio executivo admitiu em depoimentos ter levado recursos em espécie ao banco para que depois ele fosse distribuído ilegalmente.

"Olívio Rodrigues encaminhava recursos em espécie para o Banco Paulista, e o banco fazia transferência para empresas de fachada", explicou Noronha. "Isso não foi algo pontual. Essas operações ocorriam uma vez por mês e envolviam cerca de US$ 100 mil", disse.

Noronha afirmou que, após a chegada dos dólares em espécie ao Banco Paulista, o banco repassava valores equivalentes em reais às empresas de fachada. Dez empresas já foram identificadas como participantes do esquema de lavagem de dinheiro.

O delegado da PF (Polícia Federal) Alessandro Netto Vieira, coordenador desta fase da Lava Jato, explicou que essas dez empresas foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta manhã. A visita de policiais às companhias deixou claro que elas eram empresas sem funcionamento real.

"Das dez empresas investigadas, seis não existiam fisicamente. Outras duas tinham funcionamento precário e incompatível com os recursos que movimentaram", afirmou Vieira.

O UOL entrou em contato com o Banco Paulista, mas ainda não obteve retorno. Em nota, a Odebrecht informou que "tem colaborado de forma eficaz com as autoridades em busca do pleno esclarecimento dos fatos narrados pela empresa e seus ex-executivos".

Três presos na operação

Três funcionários do Banco Paulista foram presos na 61ª fase da Lava Jato. Os alvos de prisão atuavam nas seguintes funções no Banco Paulista na época dos fatos:

  • Gerson Luiz Mendes de Brito, diretor-geral do banco na época dos fatos
  • Tarcísio Rodrigues Joaquim, diretor da área de câmbio
  • Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, funcionário da mesa de câmbio

De acordo com as investigações, eles --que ainda atuam na instituição-- "faziam a contratação de empresas de fachada, que emitiam notas fiscais e contratos fictícios para justificar serviços não prestados e assim camuflar pagamentos feitos e recebidos pelo banco no exterior".

Segundo a Lava Jato, em 2017, o banco justificou que os contratos estavam ligados a remunerações por importação de moeda e comissões. "A explicação, porém, não estava embasada em documentos formais que comprovassem a aprovação, cálculos dos pagamentos e contato com os envolvidos, o que reforçou a afirmação dos sócios das empresas recebedoras dos valores no sentido de que nunca prestaram serviço ao banco", diz o MPF.

Ligação com o Caribe

Os investigadores apontam que os contratos fictícios eram para dar "justificativa falsa para que recursos ilícitos" pudessem ser enviados a uma instituição financeira no Caribe. Nela, a Odebrecht manteve contas entre 2010 e 2016 para a movimentação de valores dos esquemas. Membros do setor de propinas da empreiteira eram sócios da instituição caribenha.

O delator Olívio Rodrigues Júnior, integrante do setor de propinas da Odebrecht e sócio da instituição caribenha, encaminhava dinheiro em espécie ao Banco Paulista. O banco, então, fazia pagamentos a empresas de fachada que eram controladas por Olívio e outras cinco pessoas ligadas ao esquema na Odebrecht. Entre elas, estão outros dois delatores da empreiteira: Luiz Eduardo da Rocha Soares e Fernando Migliaccio.

Segundo a Receita Federal, 99% do faturamento dessas empresas de fachada, que não possuíam funcionários, vinham do Banco Paulista.

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