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Operação Lava Jato


Bretas adia interrogatório de Pezão após réu que o acusou virar delator

29.nov.2018 - Pezão é escoltado por policial federal -  MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO CONTEÚDO
29.nov.2018 - Pezão é escoltado por policial federal Imagem: MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO CONTEÚDO

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

14/01/2020 16h05

Resumo da notícia

  • MPF notificou Marcelo Bretas que outro réu da ação fechou acordo de delação premiada
  • STF determinou que depoimentos dos demais réus sejam suspensos até acessarem a delação
  • O delator disse que entregava propina a Pezão durante os governos Cabral
  • Pezão nega envolvimento em suposto esquema de fraudes em obras e propina

O juiz federal Marcelo Bretas —responsável pelas ações em primeira instância da Lava Jato no Rio— adiou o depoimento que o ex-governador do estado Luiz Fernando Pezão (MDB) daria, no âmbito da operação Boca de Lobo, na tarde de hoje. Na saída da sede da Justiça Federal, Pezão disse que o interrogatório foi remarcado para o dia 3 de fevereiro.

Pezão foi preso por este desmembramento da Lava Jato em novembro de 2018, apontado como líder de um esquema de recebimento de propina herdado do seu antecessor, Sérgio Cabral (MDB). A Sexta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou a revogação da prisão preventiva de Pezão em 10 de dezembro. Ele responde em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica, a processo por corrupção, lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e fraudes em licitações.

O depoimento foi cancelado minutos antes de ser iniciado após Bretas ter sido notificado formalmente pelo Ministério Público Federal que outro réu da ação, Sérgio Castro de Oliveira, conhecido como Serjão, havia fechado acordo de delação premiada.

Desta forma, seguindo determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), os depoimentos dos demais réus da ação ficam suspensos até que as suas defesas tenham acesso aos conteúdos dessa delação. Bretas não escondeu o descontentamento com o fato de a Justiça Federal ter sido notificada deste acordo na noite de ontem (13).

Em seu depoimento, Serjão, que diz ser operador de Sérgio Cabral, voltou a dizer hoje que foi o responsável por entregar valores de propina obtida através de fraudes na Secretaria de Obras, durante os dois governos de Cabral. Neste período, Pezão foi o responsável pelas Secretarias de Obras e Infraestrutura.

"Participei do esquema desde o segundo mês do primeiro governo de Cabral [fevereiro de 2007]. Além de Pezão e Cabral, recebiam valores que giravam em torno de R$ 50 mil, o então secretário de Casa Civil, Régis Fischner, Cabral, Pezão e o subsecretário de Obras Udson Braga. Depois, este valor aumentou para R$ 150 mil".

Serjão afirmou a Bretas que ele mesmo levava a propina em dinheiro vivo, dentro de mochilas, para a sede da Secretaria de Obras. Ele afirmou que parou de transportar os valores em dezembro de 2013, quando Pezão já era vice-governador, mas ainda não havia sido formalmente formalizado como candidato ao Palácio Guanabara no ano seguinte.

Operação Boca de Lobo

Deflagrada em 29 de novembro de 2018, a Operação Boca de Lobo teve como principal alvo o ex-governador Pezão. De acordo com as investigações, ele teria herdado do seu antecessor, Sérgio Cabral, o controle de uma rede de recebimento de propina a partir de fraudes em obras públicas.

No total, Pezão teria embolsado mais de R$ 30 milhões no esquema. Após ser solto no mês passado, o ex-governador está morando na cidade de Piraí, no sul fluminense, onde começou a sua trajetória política.

Pezão nega envolvimento em esquema de fraudes em obras públicas e diz não ter recebido propina.

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