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Caso Marielle


Justiça do Rio recebe denúncia, e acusados de matar Marielle viram réus

O ex-PM Élcio Queiroz (à esq.) e o policial militar reformado Ronnie Lessa (à dir.), acusados de matar Marielle e Anderson - Arte/UOL
O ex-PM Élcio Queiroz (à esq.) e o policial militar reformado Ronnie Lessa (à dir.), acusados de matar Marielle e Anderson Imagem: Arte/UOL

Marcela Leite e Marina Lang

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, no Rio

15/03/2019 18h32Atualizada em 16/03/2019 05h02

O juiz Gustavo Kalil, do 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, recebeu a denúncia contra o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46, e o sargento reformado Ronnie Lessa, 48, suspeitos de participarem do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. A decisão é de ontem e foi divulgada hoje.

Com o fato, os acusados viram réus e vão responder por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima e receptação) e por tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves.

Na decisão, a Justiça autorizou ainda, em caráter urgente e liminar (provisório), o pedido de transferência dos suspeitos para um presídio federal de segurança máxima, a ser indicado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Ambos foram presos na madrugada da última terça (12) e levados para a Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca. Hoje, eles foram levados para o presídio de Bangu, na zona oeste carioca.

Segundo o juiz, a transferência de Lessa e Queiroz para um presídio fora do Rio é importante "para a garantia da segurança pública do estado do Rio de Janeiro, evitando-se o cometimento de novos delitos e garantindo-se a paz social, vez que os acusados teriam, como argumentou o MP, ligações com suposta organização miliciana composta por policiais militares da ativa".

Além disso, foi determinado o bloqueio de todos os bens de Lessa e Queiroz, a fim de assegurar as indenizações a Fernanda e às famílias de Marielle e Anderson, conforme pedido do Ministério Público.

Outro lado

O advogado de Élcio Queiroz, Henrique Telles, alega que não teve acesso aos autos do inquérito. Telles diz que o cliente é inocente e que tem um álibi, mas que só revelará em juízo para não atrapalhar a estratégia da defesa.

"A defesa está que nem marido traído, é a última a saber das coisas. Então, na medida do possível, a gente está tomando pé da situação. Já ingressei com um pedido para ter acesso irrestrito aos autos. Ainda não foi deferido. Esse processo está correndo em sigilo e, à medida que tomarmos ciência da situação, vamos tomar as medidas cabíveis", afirmou o advogado de Queiroz.

A defesa de Queiroz também afirmou que é contrária à transferência de seu cliente para um presídio federal. O advogado afirma que tomará as medidas para reverter a decisão. Ele ainda classificou as provas coletadas pela polícia e pelo MP como "indiciárias".

Procurado pela reportagem, o advogado de Lessa, Fernando Santana, afirmou que vai "fazer o procedimento jurídico, apresentar a defesa prévia, dar continuidade ao processo e ver quais são as peças jurídicas que nós vamos apresentar".

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Depósito de R$ 100 mil

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou um depósito de R$ 100 mil, em dinheiro, na conta de Ronnie Lessa. Segundo a Polícia Civil, o depósito foi feito pelo próprio Lessa em sua conta em uma agência bancária na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca, em outubro do ano passado, sete meses depois do crime.

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) citou esse relatório no pedido que fez à Justiça para bloqueio de bens de Lessa e de Élcio Queiroz.

O relatório do Coaf cita ainda bens materiais de Ronnie Lessa, como uma lancha, um veículo blindado avaliado em cerca de R$ 150 mil e uma casa no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste, onde imóveis estão avaliados entre R$ 1,5 milhão e R$ 4,5 milhões - os bens seriam incompatíveis com a renda de um PM reformado (uma aposentadoria líquida de R$ 7.463,86).

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