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Caso Marielle


Witzel nega vazamento e fala em possível descontrole emocional de Bolsonaro

André Melo Andrade/Am Press & Images/Estadão Conteúdo
Imagem: André Melo Andrade/Am Press & Images/Estadão Conteúdo

Marcela Lemos e Gabriel Sabóia

Colaboração para o UOL e do UOL, no Rio

30/10/2019 12h03

Resumo da notícia

  • Witzel disse que não teve acesso aos documentos do Caso Marielle
  • Segundo ele, a Polícia Civil possui independência na sua gestão
  • Witzel não comentou acusação de Bolsonaro de que teria avisado o presidente sobre a citação na investigação

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), avaliou na manhã de hoje que as acusações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) devem ter ocorrido "em um momento de descontrole emocional". Witzel foi acusado pelo presidente de ter vazado uma citação ao seu nome na investigação sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). No entanto, o governador negou envolvimento no caso e disse que não teve acesso aos documentos.

"Jamais vazei informações, seja como magistrado, seja como governador. Lamento que o presidente tenha no momento, talvez, de descontrole emocional, no momento que está em uma viagem, não está talvez no seu estado normal, tenha feito acusações com a minha atividade de governador. Não manipulo MP [Ministério Público], não manipulo a Polícia Civil. Isso é absolutamente inadequado e contrário às instituições democráticas. A Polícia Civil, no meu governo, tem independência", disse. A Polícia Civil também negou interferência de Witzel.

O governador ainda desafiou a provarem seu envolvimento no caso. "Sequer tive acesso a documentos que constam dessa investigação. Se esse documento vazou, como foi apresentado ontem, que a Polícia Federal investigue. Se está no Supremo Tribunal Federal, pode ter vazado dentro do Supremo, ou de qualquer outro órgão, e isso tem que ser investigado. E eu estou à disposição. Desafio a quem quer que seja a provar que vazei qualquer tipo de documento."

Witzel disse que espera ainda que o presidente reflita sobre a acusação. "Espero que o presidente reflita. Espero que ele, assim como recentemente divulgou um vídeo na Internet em que ofendeu a nossa Suprema Corte pedindo desculpas... Ele deve desculpas ao povo do Estado do Rio de Janeiro."

As declarações ocorreram de manhã após um evento do projeto Segurança Presente, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Witzel não comentou diálogo citado por Bolsonaro

No começo da tarde de hoje, durante visita ao Hospital Estadual da Criança, na zona oeste do Rio, Witzel evitou a imprensa. Questionado quanto a veracidade de diálogo citado por Bolsonaro, o governador se limitou a dizer: "Eu não posso falar". O chefe do Executivo fluminense também não explicou o porquê de não dar as explicações.

Em entrevista à Band News, Bolsonaro disse que foi avisado há três semanas pelo governador do Rio sobre a citação ao seu nome no processo que investiga a morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

"Isso foi numa quarta-feira, há 3 ou 4 semanas, no Clube Naval, por volta das 21h. De repente ele chegou, se surpreendeu comigo. Ele achava que eu sabia da patifaria que estava acontecendo e foi conversar comigo no canto. 'Teve um problema, citaram seu nome [no caso Marielle], a história está assim, nós já enviamos ao processo [ao STF]'. Nós quem? Nós quem cara pálida, é atribuição de quem?", atacou.

Em seguida, a segurança do governador agiu com agressividade com os jornalistas presentes na agenda oficial do governo. Os profissionais foram empurrados e impedidos de deixar o hospital pela mesma saída que o governador estava usando. Diante da tentativa de deixar o local, os profissionais foram chamados de "lixos" por um dos seguranças de Witzel.

Bolsonaro nega envolvimento em caso Marielle e ataca Globo e Witzel

UOL Notícias

Bolsonaro cita Witzel em viagem internacional

As acusações de Bolsonaro contra o governador aconteceram em Riad, na Arábia Saudita, onde o presidente está em viagem oficial.

Ontem, TV Globo divulgou uma reportagem afirmando que um dos suspeitos de envolvimento na morte da vereadora Marielle e do motorista Anderson Gomes entrou no condomínio alegando que iria para a casa de Bolsonaro.

Em Riad, o presidente atacou o governador do Rio e o acusou de ter passado informações para a imprensa com o intuito de querer "destruir" a família dele para "chegar à presidência da República.

Bolsonaro tem casa no condomínio onde mora Ronnie Lessa, suspeito dos assassinatos. A TV Globo revelou que o porteiro contou à polícia que horas antes do crime, em 14 de março de 2018, outro suspeito, Elcio Vieira de Queiroz, disse que iria para a casa do então deputado federal Jair Bolsonaro.

O porteiro teria ligado para a casa de Bolsonaro e obtido autorização para a entrada de Elcio. Ele confirmou em dois depoimentos que identificou a voz de quem atendeu como sendo a do "Seu Jair".

No entanto, os registros de presença da Câmara dos Deputados mostram que Bolsonaro estava em Brasília no dia. Como o nome do presidente foi citado, a lei obriga que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise o caso.

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