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Deltan: está mais difícil combater a corrupção após 6 anos de Lava Jato

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba - Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

10/03/2020 17h47

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, procurador da República Deltan Dallagnol, afirmou hoje que o combate a corrupção no Brasil tornou-se mais difícil após seis anos de existência da operação. Segundo Dallagnol, desde de que a Lava Jato deflagrou sua primeira fase, em 17 de março de 2014, uma série de obstáculos foi imposta aos que investigam o desvio ou mau uso de recursos públicos no país, complicando inclusive o trabalho da operação.

"É cada vez mais difícil combater a corrupção no Brasil", afirmou o procurador. "A Lava Jato se adaptou diante de dificuldades, mas não é como era antes."

Dallagnol concedeu uma entrevista coletiva nesta tarde, em Curitiba, justamente para fazer um balanço sobre os seis anos da Lava Jato. De acordo com ele e outros integrantes da operação que participaram da entrevista, os resultados são positivos.

Apesar disso, diante de decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e de novas leis postas em vigor, manter o ritmo de trabalho tornou-se cada vez mais complicado.

"Antes éramos um carro acelerado com ampla possibilidade de movimentação. Hoje somos um trem carregando uma série de vagões numa ladeira cada vez mais inclinada", explicou. "Tínhamos uma expectativa de que o cenário fosse melhorar, mas infelizmente não é o que está acontecendo."

Dentre as dificuldades citadas por Dallagnol estão a decisão do STF que ordenou que casos de corrupção relacionados à eleição sejam julgados pela Justiça Eleitoral e até a sanção da Lei de Abuso de Autoridade.

Resultados e recordes

Desde sua primeira fase, em 2014, outras 69 já foram deflagradas pela Lava Jato do Paraná. De acordo com balanço divulgado pelo MPF-PR (Ministério Público Federal do Paraná), 165 investigados na operação foram condenados a mais de 2.286 anos de pena.

A Lava Jato ainda recuperou mais de R$ 4 bilhões. Desse valor, mais de R$ 3 bilhões foram destinados à Petrobras, estatal atingida por crimes investigados pela força-tarefa.

No ano passado, a operação bateu alguns recordes de atividade. O ano de 2019 foi o que a força-tarefa mais apresentou denúncias à Justiça (29 das 118 já apresentadas desde 2014); mais abriu ações civis públicas (12 das 38 totais); e mais colheu depoimentos (206 contra 170 colhidos em 2017).

"Há muito trabalho sendo feito e esse trabalho ainda vai redundar em mais ações", disse o procurador Júlio Noronha, outro integrante da Lava Jato.

Polêmicas e derrotas

O ano passado, porém, também foi de derrotas e polêmicas para a operação.

Em 2019, contrariando o entendimento da Lava Jato, o STF (Supremo Tribunal Federal) julgou como ilegais as prisões de condenados após julgamentos em segunda instância. O novo entendimento da Corte possibilitou a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na Lava Jato.

Também no ano passado, o site The Intercept Brasil e outros veículos de comunicação, incluindo o UOL, publicaram reportagens baseadas em diálogos mantidos por integrantes da Lava Jato obtidos por um hacker.

As reportagens apontaram orientação ilegal de então juiz Sergio Moro a ações do MPF, uso de provas obtidas ilegalmente e até deboches sobre a morte da ex-primeira-dama e esposa de Lula, Marisa Letícia.

Para Dallagol, apurações já comprovaram que não houve irregularidade na conduta da Lava Jato. Ele disse ainda que o vazamento das conversas serviu para tirar o foco do que é importante: o combate à corrupção.

Operação Lava Jato