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Operação Lava Jato

Paulinho da Força é investigado por caixa 2 e lavagem de dinheiro

Paulinho da Força tem gabinete e apartamento alvos de mandados de busca e apreensão -  Mathilde Missioneiro/Folhapress
Paulinho da Força tem gabinete e apartamento alvos de mandados de busca e apreensão Imagem: Mathilde Missioneiro/Folhapress

Do UOL, em São Paulo*

14/07/2020 07h23Atualizada em 14/07/2020 09h51

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) é investigado por suspeita de caixa dois nas campanhas eleitorais de 2010 e 2012. O parlamentar é um dos alvos da operação Dark Side, realizada pela PF (Polícia Federal) e pelo Ministério Público Eleitoral na manhã de hoje.

A operação, autorizada pela Justiça Eleitoral de São Paulo, acontece dentro do âmbito da Operação Lava Jato. Ela utiliza como base delação premiada de executivos do grupo J&F, controlador da indústria de alimentos JBS. A investigação apura suspeitas de crime eleitoral e lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, a investigação constatou que o deputado recebeu R$ 1,7 milhão de caixa dois. "[Os] pagamentos teriam ocorrido por meio da simulação da prestação de serviços advocatícios e também mediante o pagamento de valores em espécie, contando para isso com doleiros contratados pelo referido grupo [J&F]".

Em 2010, Paulinho da Força, presidente licenciado da Força Sindical, foi reeleito deputado federal. Em 2012, ele disputou a eleição para a Prefeitura de São Paulo, que perdeu ainda no primeiro turno. O pleito foi vencido por Fernando Haddad (PT). Em ambas as eleições, o parlamentar estava filiado ao PDT.

Agentes da PF fazem buscas no gabinete do parlamentar em Brasília, em seu apartamento e ainda na sede da Força Sindical, na capital paulista. No total, a Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e Brasília. Ainda foi determinado o bloqueio judicial de contas bancárias e imóveis dos investigados, determinados pela 1ª Zona Eleitoral da capital paulista.

Em comunicado, Paulinho da Força diz desconhecer os fatos citados, afirma lamentar a operação e diz que as contas de suas campanhas em 2010 e 2012 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

"Caso os mandados digam de fato respeito a alegado caixa dois dos anos de 2010 e 2012, a partir da delação da JBS, conforme notícias veiculadas, o deputado lamenta o ocorrido na data de hoje tendo em vista que já são passados dez anos desde os fatos apontados", diz a nota.

A PF diz que o inquérito policial sobre o caso foi remetido à Justiça Eleitoral de São Paulo em meados de 2019, com a colaboração premiada de acionista e executivos de grupo J&F, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que reafirmou a competência da Justiça Eleitoral para julgar crimes conexos aos crimes eleitorais.

Procurada pelo UOL, a Força Sindical ainda não respondeu.

Escritório de genro investigado

Segundo a PF, o escritório de advocacia investigado no esquema tinha como um dos seus sócios o genro do parlamentar.

A quebra do sigilo bancário do escritório mostrou que houve transferência de valores, na época da eleição de 2012, provenientes da Força Sindical e que não foram declarados por sua campanha.

Outras operações financeiras identificadas pelos investigadores apontam "a possibilidade da prática de outros atos de lavagem de dinheiro autônomos e conexos, o que será objeto de aprofundamento na fase ostensiva das investigações", diz a PF. (Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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