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Força-tarefa da Lava Jato rebate Aras e diz que acusações são 'falsas'

Do UOL, em São Paulo

29/07/2020 14h46

A força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba se defendeu hoje das acusações feitas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Os procuradores que atuam na capital paranaense chamaram de "falsas" as afirmações que mais repercutiram de Aras, sobre a força-tarefa ter uma "caixa de segredos" e dados de 38 mil pessoas que "ninguém sabe como foram escolhidos".

"A ilação de que há 'caixas de segredos' no trabalho dos procuradores da República é falsa, assim como a alegação de que haveria milhares de documentos ocultos", afirmou em nota a força-tarefa, também rebatendo a declaração de Aras sobre o banco de dados dos procuradores que atuam em Curitiba.

"É falsa a suposição de que 38 mil pessoas foram escolhidas pela força-tarefa para serem investigadas, pois esse é o número de pessoas físicas e jurídicas mencionadas em relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) ao MPF (Ministério Público Federal)", diz a nota.

A força-tarefa ainda rebateu outra acusação sobre a sua base de dados. Segundo Aras, a Lava Jato em Curitiba tem 350 terabytes armazenados, enquanto o MPF tem apenas 40 terabytes. Os procuradores alegam que a quantidade de dados reforça "a amplitude do trabalho até hoje realizado".

"Ao longo de mais de setenta fases ostensivas e seis anos de investigação foi colhida grande quantidade de mídias de dados - como discos rígidos, smartphones e pendrives", afirma a força-tarefa. "Para que se tenha ideia, por vezes apenas um computador pessoal apreendido possui mais de um terabyte de informações".

Os procuradores também fizeram questão de ressaltar que a operação tem desagradado uma "parcela influente" da sociedade brasileira por mirar "crimes graves que envolvem políticos e grandes empresários", e que esse grupo "lança mão de todos os meios para desacreditar o trabalho até então realizado com sucesso".

Janot usa ironia em defesa

O ex-procurador-geral Rodrigo Janot adotou um tom irônico ao se juntar à defesa dos procuradores de Curitiba. Titular do braço do MPF até 2017, Janot se colocou ao lado da força-tarefa.

"Não sei o que pode mover pessoas a investir contra a praga da corrupção, que drena o dinheiro público e torna nossas diferenças sociais ainda mais absurdas! Pensando bem acho que sei!", escreveu o ex-procurador no Twitter, em resposta a outro usuário da rede social que se posicionou contra o "lavajatismo".

O ex-ministro Sergio Moro também comentou hoje as declarações de Aras, se colocando a favor da força-tarefa. Ex-juiz da Lava Jato, Moro disse que a investigação sempre foi "transparente" e disse desconhecer "segredos ilícitos" no âmbito da operação.

Operação Lava Jato