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Operação Lava Jato

Procuradores criticam fala de Bolsonaro sobre Lava Jato: "desconhecimento"

Bolsonaro disse ter acabado com a Operação Lava Jato, porque, segundo ele, "não existe mais corrupção no governo" - VAN CAMPOS/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO
Bolsonaro disse ter acabado com a Operação Lava Jato, porque, segundo ele, "não existe mais corrupção no governo" Imagem: VAN CAMPOS/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

08/10/2020 13h28Atualizada em 08/10/2020 16h03

Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Paraná emitiram uma nota hoje criticando a fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre ter "acabado" com a operação. Ontem, o mandatário disse que a Lava Jato terminou porque, segundo ele, "não existe mais corrupção no governo".

O discurso indica desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade e, sobretudo, reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção
Procuradores do MPF

Os procuradores lembraram que ontem, mesma data da declaração do presidente, foi deflagrada a 76ª fase da operação, na qual houve a apreensão do equivalente a quase R$ 4 milhões de reais em espécie em endereços de investigado pela prática de crimes contra a Petrobras.

"A Lava Jato é uma ação conjunta de várias instituições de Estado no combate a uma corrupção endêmica e, conforme demonstram as últimas fases dos trabalhos, ainda se faz essencialmente necessária", acrescentaram os procuradores no comunicado. "O apoio da sociedade, fonte primária do poder político, bem como a adesão efetiva e coerente de todos os Poderes da República, é fundamental para que esse esforço continue e tenha êxito."

Os procuradores da República designados para atuar no caso reforçam o seu compromisso na busca da promoção de justiça e defesa da coisa pública, papel constitucional do Ministério Público, apesar de forças poderosas em sentido contrário
Membros da Lava Jato em nota

Moro e discurso de combate à corrupção

Bolsonaro foi eleito em 2018 com um discurso de total apoio à Lava Jato, à moralização e ao combate à corrupção. Após eleições, o presidente convidou Sergio Moro, juiz responsável pelos processos da operação no Paraná, para ser ministro da Justiça e Segurança Pública. Moro deixou o cargo em abril deste ano afirmando que Bolsonaro busca interferir politicamente na Polícia Federal, o que o presidente nega.

A acusação levou à abertura de um inquérito. Hoje o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) deverá decidir se Bolsonaro pode depor por escrito no inquérito ou se terá de prestar esclarecimentos presencialmente sobre o caso.

Ontem, Moro criticou o possível fim da Lava Jato horas depois da declaração de Bolsonaro. Nas redes sociais, disse que as tentativas de acabar com a força-tarefa representam a volta da corrupção e um triunfo da velha política.

Ao deixar o governo, o ex-ministro já havia dito que o governo não mostrava compromisso com o fim da corrupção.

Prerrogativa da PGR

Apesar da fala de Bolsonaro, a prerrogativa de encerrar a Lava Jato não é do poder Executivo, mas da PGR (Procuradoria-Geral da República). A possibilidade de encerramento da força-tarefa de Curitiba em janeiro de 2021, como previsto pela PGR, lança incertezas sobre o futuro de uma série de investigações ainda em andamento e tem mobilizado procuradores da equipe a agir pela continuidade da operação, como noticiou a Folha de S. Paulo.

O procurador da Lava Jato Roberson Pozzobon disse, em entrevista à CNN Brasil em setembro, que "é impossível" encerrar até janeiro as mais de 400 investigações em curso na operação.

'Não tenho dado motivo para PF ir atrás dos meus ministros'

Hoje, ao participar de uma cerimônia de formatura de policiais federais em Brasília, Bolsonaro disse que "não tem dado motivo para a Polícia Federal ir atrás" de seus ministros.

De acordo com a narrativa do presidente, problemas relacionados à corrupção teriam acabado em razão do critério de seleção de ministros. Ele diz que escolheu sua equipe a partir de parâmetros técnicos, e não políticos, em comparação com os governos anteriores.

O mandatário elogiou o trabalho dos policiais federais e disse que a atuação do órgão no combate à corrupção contribuiu para sua eleição em 2018 porque "fez com que muita gente olhasse para um candidato diferente".

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