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Preso em operação tentou acesso a imóvel de acusado de matar Marielle

Flávio Costa e Herculano Barreto Filho

Do UOL, em São Paulo, e do UOL, no Rio

30/06/2020 17h35

Leonardo Gouvêa da Silva, conhecido como Mad, preso hoje de manhã em uma operação contra integrantes do chamado Escritório do Crime, já tentou invadir um apartamento de Ronnie Lessa, sargento da reserva da PM-RJ (Polícia Militar do Rio) acusado de ser um dos assassinos de Marielle Franco e de Anderson Gomes, mortos a tiros na noite de 14 de março de 2018 no Estácio, no centro do Rio.

O episódio, registrado por imagens captadas por câmeras de vigilância do prédio no Pechincha, na zona norte carioca, ocorreu um dia depois da prisão de Lessa, detido em 12 de março de 2019. Segundo a Polícia Civil e o MP-RJ (Ministério Público do Rio), as armas supostamente usadas no assassinato da vereadora estavam no imóvel.

Horas depois, homens ligados a Lessa e sua mulher entraram na residência, levaram ao menos seis armas e as jogaram ao mar, segundo as investigações. No entanto, a Polícia Civil descartou hoje a participação de Mad no Caso Marielle.

Mad e outros três homens se identificaram na portaria do prédio de Ronnie Lessa como policiais e afirmaram que iriam verificar uma denúncia relacionada ao tráfico de drogas. Porém, o administrador do prédio desconfiou da informação e pediu que mostrassem credenciais. Os homens foram embora sem conseguir entrar no apartamento.

Segundo investigações da Polícia Civil, os comparsas de Lessa pretendiam se desfazer das armas do crime. No dia 10 deste mês, a DH da Capital (Delegacia de Homicídios da Capital) prendeu preventivamente o bombeiro Maxwell Simões Corrêa por suspeita de ter ajudado a ocultar as armas usadas no crime.

30.jun.2020 - Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, foi preso pela Polícia Civil do Rio. Ele é acusado de chefiar operações do Escritório do Crime, grupo de pistoleiros a serviço da milícia. Ele, que chegou a ser apontado como um dos suspeitos por envolvimento na morte de Marielle Franco, agora é acusado por envolvimento em um assassinato ocorrido no mesmo dia do atentado contra a vereadora - Reprodução - Reprodução
30.jun.2020 - Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, foi preso pela Polícia Civil do Rio
Imagem: Reprodução

Levantamento do UOL constatou que Maxwell recebia salário líquido de cerca de R$ 4.600 por mês antes de ser preso. Mas, segundo a polícia, ele é dono de um patrimônio milionário incompatível com sua renda, que inclui carros importados e um apartamento luxuoso avaliado em R$ 2 milhões de frente para a praia na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

30.jun.2020 - Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, foi preso pela Polícia Civil do Rio. Ele é acusado de chefiar operações do Escritório do Crime, grupo de pistoleiros a serviço da milícia. Ele, que chegou a ser apontado como um dos suspeitos por envolvimento na morte de Marielle Franco, agora é acusado por envolvimento em um assassinato ocorrido no mesmo dia do atentado contra a vereadora - Arquivo - Arquivo
30.jun.2020 - Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, é apontado pela polícia como um dos chefes do Escritório do Crime
Imagem: Arquivo

Mad foi preso hoje em investigação que apura a morte de Marcelo Diotti da Mata, assassinado a tiros no estacionamento do Outback da Barra, zona oeste do Rio. O crime ocorreu na noite de 14 de março de 2018, mesmo dia em que Marielle foi assassinada.

Ele chegou a ser apontado como suspeito de envolvimento na morte de Marielle após o rastreamento de uma conversa telefônica entre o vereador Marcelo Sicilliano (sem partido) e o miliciano Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, apontado como um dos chefes da milícia de Rio das Pedras, zona oeste do Rio.

Em outubro de 2019, o UOL teve acesso ao conteúdo do diálogo, que estava no celular do político apreendido em operação policial. No diálogo, Beto Bomba acusa Mad de ser um dos assassinos da vereadora. O registro faz parte de denúncia assinada pela ex-procuradora Raquel Dodge, enquanto ela ainda estava à frente da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Os moleques foram lá, montaram uma cabrazinha, fizeram o trabalho de casa, tudo bonitinho, ba-ba-ba, escoltaram, esperaram, papa-pa, pa-pa-pa pum. Foram lá e tacaram fogo nela [Marielle]

Beto Bomba, em áudio

Meses depois do assassinato de Marielle e Anderson, ainda em 2018, Mad prestou depoimento à DH da Capital e negou envolvimento nas mortes. A reportagem não localizou hoje a defesa de Mad.

Caso Marielle