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Operação Lava Jato


Críticas e apoio à Lava Jato: como prisão de Temer repercutiu no Congresso

Hanrrikson de Andrade e Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

21/03/2019 11h54Atualizada em 21/03/2019 17h50

Após a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) pela força-tarefa da Operação Lava Jato, políticos de vários partidos se manifestaram sobre o caso.

Além de Temer, seu ex-ministro Moreira Franco (MDB) também foi preso. Já o ex-ministro da Casa Civil Eliseu Padilha (MDB) foi alvo de mandados de busca.

Veja a repercussão da prisão até agora:

Eduardo Braga (MDB-AM): o líder do MDB no Senado só se manifestou por nota. "Esperamos que o estado democrático de direito seja respeitado e que a defesa do ex-presidente Michel Temer possa esclarecer todas as questões. Defendemos que todos devem cumprir a lei e que a Justiça existe para todos", diz a nota.

Major Olímpio (PSL-SP): O líder do PSL no Senado comemorou a prisão. "O Brasil está mudando realmente. A Justiça será para todos. (...) Nesse momento, com a prisão do ex-presidente Michel Temer, e possivelmente de alguns de seus ministros, nós estaremos dando a certeza à população brasileira que estamos no caminho de a lei ser cumprida."

No Twitter, disse que a investigação deveria chegar à ex-presidente Dilma Rousseff.

Lasier Martins (Pode-RS): "Sinal de que a força-tarefa da Lava Jato não olha a quem. [Investiga] Indistintamente todos os partidos. É lamentável, mas é algo que já se tinha sinal há algum tempo."

Deputado Aécio Neves (PSDB-MG): "Vamos aguardar. Toda prisão que é tecnicamente justificável tem que ser compreendida."

Paulo Paim (PT-RS): "Recebo sem surpresa alguma. Isso é um fato previsto para todos aqueles que estão na vida pública. Começou quando afastaram a Dilma aqui. É um efeito dominó e vai ocorrer com todos aqueles que têm respostas a dar."

"Tudo começou com o impeachment da Dilma. Repercutiu em todo mundo e continua repercutindo [prisão do segundo ex-presidente do país]. Claro que não é bom para a imagem do Brasil e há uma preocupação cada vez maior. Agora é aquela coisa: pau que bate em Chico bate em Francisco."

Marcelo Calero (PPS-RJ), ex-ministro da Cultura de Temer: "A resposta que a Justiça dá é que não há espaço para esses favorecimentos de amigos. A política é para se pensar o Brasil. Isso é uma resposta que a sociedade já havia dado, que não aceita esse comportamento",

Calero deixou o governo Temer, em novembro de 2016. À época ele denunciou que o presidente tentava usar seu cargo para liberar a construção de um prédio a pedido de Geddel Vieira Lima, que ocupava o cargo de ministro da Secretaria de Governo.
Geddel está preso pela Operação Lava Jato desde setembro de 2017. Em um apartamento que seria utilizado pelo emedebista a PF apreendeu R$ 51 milhões em dinheiro vivo. "Pessoalmente eu sinto que estou de coração leve. Finalmente a Justiça foi feita", analisou.

Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara: "Trata-se do chefe de uma quadrilha. Vários dos seus comparsas já estão presos. Por duas vezes tentamos fazer que Michel Temer respondesse por seus delitos na Presidência. Ele usou a força de seu cargo para impedir que essas denúncias avançassem".

Tasso Jereissati (PSDB-CE): "Não tem razão alguma para prender um ex-presidente da República que tem endereço fixo e está à disposição da Justiça". Tasso criticou o Judiciário e, sem citar outros casos, disse que "a situação está passando dos limites". Para o congressista, o Senado deveria se empenhar em retomar o projeto de lei que caracteriza o abuso de autoridade.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP): o líder da minoria no Senado afirmou que a ação da Lava Jato realizada hoje representa um "dia histórico no combate à corrupção"."Uma demonstração concreta de que ninguém está acima da lei. Não é o fim da corrupção no Brasil, mas é luz de lamparina na impunidade", declarou.

Randolfe disse ainda que não enxerga abuso de autoridade porque a prisão também pode ser decretada quando há risco de destruição de provas. Na visão dele, esse era o cenário para a investigação caso o ex-presidente e seus ministros continuassem em liberdade. "A liberdade do Temer e do Moreira Franco era uma ameaça às provas do processo."

Márcio Bittar (MDB-AC): "Se tem uma coisa que ficou provada nesses anos todos é que o sistema não poupou ninguém. Não tem partido santo: do bem contra o mal. Nós somos da ética e vocês não são... não é assim. Não sobrou partido nenhum".

PT: Na visão da legenda, o cumprimento de mandados contra Temer e Moreira Franco deve "respeitar o processo legal", e não apenas "especulações e delações sem provas, como ocorreu no processo do ex-presidente Lula". Caso a prisão de Temer e Moreira tenham ocorrido com o mesmo contexto, defende o PT, "estaremos diante de mais um dos espetáculos pirotécnicos que a Lava Jato pratica sistematicamente, com objetivos políticos e seletivos."

Veja o momento em que o ex-presidente Michel Temer é preso em São Paulo

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