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Mulher de Cabral visita marido como advogada; Justiça proíbe manobra

Defesa de Adriana Ancelmo nega irregularidades - Armando Paiva/AGIF - 29.mar.2017
Defesa de Adriana Ancelmo nega irregularidades Imagem: Armando Paiva/AGIF - 29.mar.2017

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

20/05/2019 11h05

A ex-primeira dama do Rio Adriana Ancelmo utilizou sua carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pelo menos duas vezes neste ano para visitar o marido, o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), preso no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste da cidade. De acordo com a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária), as visitas ocorreram no fim do mês de fevereiro.

Advogados têm facilidades para visitar presidiários. Eles podem acessar o local de carro, não são submetidos ao mesmo procedimento de revista rigorosa de visitantes comuns e também não precisam cumprir dia e hora de visitas estipulados pelo presídio.

Segundo a Seap, a mulher de Cabral cometeu irregularidades ao visitar o marido com a prerrogativa de advogada já que "Ancelmo não se encontra legalmente habilitada junto ao processo do referido apenado", informou a pasta por meio de nota.

O juiz da Vara de Execuções Penais Rafael Estrela suspendeu novas visitas com a prerrogativa de advogada. A mulher de Cabral só poderá fazer visitas seguindo as normas de visitantes.

"Segue disponível o credenciamento das visitas cumprindo o trâmite normal para familiares em dias e horários determinados", informou a Seap.

Procurado, o advogado de Adriana Ancelmo, Alexandre Lopes considerou a informação difamatória.

"Adriana não precisa utilizar subterfúgios qualquer para visitar Sérgio, já que possui esse direito como sua mulher. Além do mais, Adriana não se encontra impedida de entrar no Complexo de Gericinó, durante o dia, uma vez que está em liberdade, com algumas condições", disse Lopes.

"Mesmo os advogados passam por procedimentos de segurança no procedimento de ingresso nas unidades prisionais. A informação não possui lógica e está eivada de equívocos."

Ancelmo utiliza tornozeleira eletrônica

Ancelmo foi condenada durante a Operação Calicute --desdobramento da Operação Lava Jato no Rio-- a 11 anos e 12 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O escritório de advocacia onde ela trabalha foi acusado de lavar dinheiro do esquema do ex-governador. Ancelmo nega todas as acusações, já Cabral passou a confessar seus crimes.

A advogada chegou a ser presa em dezembro de 2016, após a prisão de Cabral. A decisão foi do juiz Marcelo Bretas.

Posteriormente, Ancelmo foi beneficiada com a prisão domiciliar. No entanto, em agosto do ano passado, a prisão domiciliar foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica.

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