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Operação Lava Jato


Lava Jato: não há indícios de contas de Paulo Preto em favor de autoridades

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, tido como o operador financeiro do PSDB - Mateus Bruxel/Folhapress
O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, tido como o operador financeiro do PSDB Imagem: Mateus Bruxel/Folhapress

Vanessa Alves Baptista

Do UOL, em São Paulo

06/08/2019 19h00Atualizada em 06/08/2019 20h03

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirmou hoje, em nota, que não viu indícios de que cartões ou contas do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro privilegiado.

Paulo Preto é tido como o operador financeiro do PSDB e, segundo mensagens obtidas pelo Intercept Brasil e publicadas hoje em parceria com o El Pais, era visto por Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato no Paraná, como "laranja" do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Nas mensagens trocadas com outros procuradores, Dallagnol disse que havia um boato em São Paulo que parte do dinheiro de Preto mantido em contas no exterior era de Gilmar. Procurado pelo UOL, o ministro negou ter conta fora do Brasil.

Após a publicação dos diálogos, a Força Tarefa da Lava Jato em São Paulo afirmou que jamais recebeu informação sobre suposto envolvimento de Gilmar Mendes com as contas de Paulo Vieira de Souza no exterior.

"Qualquer ilação nesse sentido, por parte de quem for, seria mera especulação", diz a assessoria da Lava Jato.

Na Suíça

Diálogos divulgados hoje mostram que procuradores da Lava Jato se mobilizaram para buscar dados até na Suíça que incriminassem o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para pedir sua suspeição ou impeachment. As mensagens foram publicadas pelo site do jornal El País, em conjunto com o The Intercept Brasil.

De acordo com os diálogos dos procuradores, a prisão de Paulo Preto levou o grupo a buscar possíveis ligações entre o preso e o ministro do Supremo.

Em nota, a Lava Jato afirmou que sempre que surgem indícios do envolvimento em crimes de pessoas com foro privilegiado, "a força-tarefa encaminha as informações à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal, na linha da jurisprudência dessa corte".

Como tem feito desde que o site Intercept Brasil começou a divulgar troca de mensagens atribuídas a integrantes da Lava Jato, incluindo diálogos com o ex-juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça, a força-tarefa disse hoje ao UOL não reconhecer os diálogos. "O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade", diz a nota.

Procurada pelo UOL, a Procuradoria-Geral da República disse que "não reconhece e não se manifesta sobre material de origem ilícita".

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Paulo Preto até o momento. O PSDB também não se manifestou ainda.

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