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Ricky Hiraoka


Quitéria Chagas: "Rainha de bateria precisa virar profissão regulamentada"

Thiago de Lucena/Divulgação
Quitéria Chagas será rainha da Império Serrano neste Carnaval Imagem: Thiago de Lucena/Divulgação
Ricky Hiraoka

Formado em jornalismo pela USP e pós-graduado em roteiro pela FAAP, Ricky Hiraoka foi colunista social na revista VEJA SÃO PAULO e na L'Officiel, colaborador de títulos como Glamour, Estilo e Boa Forma e apresentador da TV Marie Claire. Como roteirista, escreveu as séries Z4 (SBT/Disney), Eu, Ela e Um Milhão de Seguidores (Multishow), alem do reality show Fábrica de Casamentos (SBT/Discovery) e o humorístico Ceará Fora da Casinha (Multishow).

18/01/2019 04h00

Cinco anos após brilhar pela Sapucaí como rainha de bateria, Quitéria Chagas volta ao posto que a consagrou como um dos ícones do Carnaval. A bela vai estar à frente da bateria da Império Serrano, agremiação carioca que neste ano leva à avenida a música "O que É, o que É?", de Gonzaguinha, como samba-enredo.

Morando na Itália e trabalhando como doula para auxiliar mulheres que desejam fazer um parto humanizado, Quitéria acreditava que sua história no Carnaval estava encerrada. "Saí do meio artístico. Mudei de profissão. Voltei a desfilar, porque pediam demais a minha presença pelas redes sociais", conta ela, que vem ao Brasil uma vez por mês para ensaiar.

Mesmo distante da Sapucaí (veja a programação dos desfiles do Rio), Quitéria acompanhava os desfiles pela TV e diz que o Carnaval mudou bastante. "O público ficou mais crítico. Parece que cada ala tem que ter uma novidade, algo que impacte para a galera aplaudir, postar nas redes sociais. A comoção só vem com uma inovação", analisa. "A inovação não necessariamente requer dinheiro ou luxo. Eu, por exemplo, vou apostar numa coreografia mais cênica, que mescla dança moderna com técnicas de interpretação."

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Quitéria diz que rainha deveria ter salário Imagem: Divulgação
Embora concentre a maior atenção da imprensa e gere mais mídia espontânea, a rainha de bateria é a função mais desvalorizada numa escola, na visão de Quitéria. "Se alguém chega e dá R$ 200 mil [pelo posto de rainha da bateria], a escola não vai dizer não, porque está todo o mundo em crise", afirma.

Ela acredita que a saída para cessar a venda de cargos é a regularização desse ofício. "Rainha de bateria tem que ser profissão regulamentada e ganhar salário, pois temos gastos absurdos para estar bonita o ano todo e atrair mídia para a escola", diz.

Quitéria calcula que entre looks de ensaio, sapatos, personal trainer e procedimentos estéticos, uma rainha de bateria desembolse, pelo menos, R$ 10 mil por mês. Já a fantasia para o dia de desfile sai por R$ 30 mil no mínimo. "Esse dinheiro para bancar as rainhas precisa vir da iniciativa privada, que tem que ver essas meninas como outdoors que vão promover as marcas."

Além de defender a profissionalização das rainhas de bateria, outra causa que Quitéria advoga em prol é o parto humanizado, sem intervenções médicas desnecessárias. Ela, que engordou 40 quilos durante a gestação, afirma que não ter feito cesária foi essencial para voltar à forma física. "As pessoas desconhecem os benefícios do parto natural. Dá até para chegar ao orgasmo", revela. "Logo após o nascimento, quando o bebê mama pela primeira vez, isso provoca contração uterina para expelir a placenta. A saída da placenta me deu um orgasmo maravilhoso!"