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Após polêmica, Baile da Vogue se reinventa e abre espaço para diversidade

Ricky Hiraoka

Jornalista pela USP e pós-graduado em roteiro para cinema e TV pela FAAP, Ricky Hiraoka foi um dos criadores da série infantojuvenil Z4 (SBT/Disney), escreveu programas de humor e sitcom para o Multishow e ajudou a criar o reality show Fábrica de Casamentos (SBT/Discovery). No cinema, colaborou nos roteiros de A Mulher Que Era Demais e Cozinha das Vaidades. Foi titular do Terraço Paulistano, coluna social de Veja SP, e assinou uma coluna na revista L'Officiel Brasil.

Especial para o UOL

24/03/2019 10h32

Não é exagero dizer que a décima quinta edição do Baile da Vogue foi a mais longa de todas. Marcada inicialmente para o dia 21 de fevereiro, a festa viu seu prestígio ameaçado por conta do imbróglio em torno do aniversário de Donata Meirelles, que fazia parte da equipe da revista e foi acusada de racismo.

Desde então, o Baile da Vogue se viu envolvido numa série de boatos e a credibilidade da festa foi colocada em xeque. Patrocinadores ameaçaram abandonar o evento, famosas que antes batiam cartão na celebração optaram por não ir com medo de atrelar a imagem à da publicação e, durante mais de um mês, uma pergunta ficou no ar: será o fim da festa de Carnaval mais badalada e disputada de São Paulo?

Horas antes de o evento começar ainda havia dúvidas se o Baile da Vogue seria capaz de manter a força e o impacto das edições anteriores. A resposta foi dada na noite de ontem. O que se viu no Hotel Unique, sede da festa, foi uma celebração mais plural. O número de negros presentes no Baile da Vogue cresceu a olhos vistos. Havia mais representantes da comunidade LGBTQI+. Rostos conhecidos, que antes eram vistos em todos os cantos, ficaram mais raros. Sabrina Sato, Camila Queiroz, Sheron Menezes, Glória Maria, Marisa Orth, Luciana Gimenez e Daniela Albuquerque estavam entre as celebridades que circulavam pelo local.

Se no passado, o evento se apoiava em celebridades para ter repercussão, agora as estrelas da noite são líderes de projetos sociais. Organizações como Gerando Falcões, Spetaculu e Casa 1, centro que acolhe LGBTQI+ e que estava ameaçado de fechar as portas, foram beneficiadas financeiramente pelo Baile da Vogue e seus representantes tiveram a chance de explicar ao público a importância dessas iniciativas.

Todas as mudanças fizeram o Baile da Vogue estar mais antenado aos tempos atuais. O evento conseguiu se reinventar e está melhor. O lado mais engajado e até político não prejudicou a diversão. O Baile da Vogue continua sendo uma festa divertida, em que as pessoas se jogam na pista de dança sem medo de ser feliz. Que em edições futuras a diversidade permaneça no Baile da Vogue e que o compromisso de ser uma plataforma de inclusão siga adiante.