Musa trans do Salgueiro: "É importante que vejam que não somos bichos "

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Em 2018, a cabeleireira Kamilla Carvalho, 31 anos, fez história ao se tornar a primeira musa trans da escola de samba carioca Salgueiro. Com 1,80 m de altura e muito gingado, ela brilhou ao lado de nomes consagrados, como Viviane Araújo, que desfila à frente da bateria da agremiação.
"Fui muito bem recebida por todas as passistas, pois tenho história no Carnaval. Desfilo desde a adolescência", afirma Kamilla. "Estou há cinco anos na Salgueiro e nunca busquei a fama."
O convite para ser musa partiu de Regina Celi, que presidiu o Acadêmicos do Salgueiro por dez anos, mas foi afastada do cargo em dezembro, após uma decisão judicial. A troca de gestão trouxe dúvidas para o futuro carnavalesco de Kamilla, que ainda não sabe se manterá o título de musa da escola (veja programação dos desfiles no Rio).
"Sendo musa ou não, quero desfilar, pois é importante ter uma mulher transexual na Sapucaí para que vejam que não somos bichos e que não precisamos ser marginalizadas", argumenta. "Não adianta colocar trans no Carnaval e não dar destaque. O público quer nos ver!"
O título de musa fez Kamilla virar símbolo de representatividade. Diariamente, ela recebe mensagens no Instagram de membros da comunidade LGBTQ dizendo que ela é uma inspiração e que está quebrando paradigmas.
Isso fez com que Kamilla adotasse um comportamento discreto durante os ensaios do Salgueiro. "Essa coisa de ser musa desperta muito a curiosidade sexual das pessoas. Não quis vulgarizar para mostrar que as trans não são um fetiche", conta.
"Mas claro que chamei a atenção, porque tenho um corpão. Rolaram cantadas, principalmente de turistas que iam visitar a quadra do Salgueiro nos fins de semana."
Apesar do assédio, Kamilla está solteira. "O brasileiro é muito preconceituoso, tem medo do que vão pensar se ele namorar uma trans. Aí a gente acaba se acostumando a ficar sozinha."
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