PUBLICIDADE
Topo

'Estou morrendo', tuíta manifestante ucraniana baleada no pescoço

Do UOL, em São Paulo

20/02/2014 13h01Atualizada em 20/02/2014 20h08

"Eu estou morrendo". Esse foi o último tuíte da ucraniana Olesya Zhukovskaya, 21, uma socorrista voluntária ao ser aparentemente atingida por um tiro no pescoço nesta quinta-feira (20), durante enfrentamentos entre manifestantes e forças governamentais em Kiev, na Ucrânia.

A mensagem foi publicada no Twitter e também no VK (uma espécie de Facebook russo).  "Estou morrendo" (tuíte abaixo, em ucraniano), diz o texto.

A postagem da jovem médica correu o mundo, causou comoção e deu uma carga emocional extra à situação já dramática da Ucrânia, com a morte de dezenas de manifestantes nos confrontos com a polícia no centro de Kiev só nesta quinta.

De acordo com informações da agência AFP, a jovem sobreviveu ao ferimento. Ela foi submetida a uma cirurgia de emergência e se recupera em um hospital da capital. O estado de saúde é desconhecido.

A agência cita como fonte o "Euromaidan" --nome adotado pelo movimento de contestação ao poder do presidente Viktor Yanukovytch.

"Tudo vai ficar bem com você! Eu rezo por você! A Ucrânia inteira reza por você!", escreveu Anastasiya Sosnovaya, integrante do grupo, na internet.
 
Em mensagens anteriores, Zhukovska pediu apoio da população para os protestos. “Urgente, todos os moradores de Kiev! Precisamos do seu apoio para acabar com esse matadouro...”

De acordo com informações de sua conta no microblog, ela chegou a Kiev esta semana e visitou ontem a praça Independência pela primeira vez. Na quarta-feira (19), ela teria se refugiado em uma igreja, onde o sinal do celular funcionava melhor. 

Ordem para atirar

O ministro do Interior da Ucrânia, Vitaliy Zakharchenko, afirmou hoje que ao menos 67 policiais são reféns dos manifestantes antigoverno que tomam as ruas do centro da capital Kiev. As autoridades não sabem para onde eles foram levados.

Políciais disparam contra manifestantes

Zakharchenko disse também ter assinado uma ordem que autoriza a polícia a disparar contra manifestantes “dentro dos parâmetros da lei”. Ele também afirmou ter liberado o uso de armas de combate pelas forças de segurança.

"Essas medidas foram tomadas para preservar a vida e o bem-estar dos policiais. Eles usarão as armas em autodefesa”, afirmou.

Mortos

Ao menos 21 manifestantes ucranianos morreram durante enfrentamentos com a polícia hoje, na capital Kiev. O total de pessoas mortas nos protestos dos últimos dias chegou a 47 – na terça-feira (18), dia mais violento desde que a revolta contra o governo começou, 26 morreram.

Jornais locais disseram que ao menos 13 das vítimas de hoje foram baleadas na cabeça por franco atiradores na praça Independência, ponto de concentração dos protestos antigoverno.

O lobby de um hotel nos arredores da praça foi usado pelos manifestantes como necrotério improvisado e hospital para o tratamento dos feridos. (Com agências internacionais)

Internacional