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Grupo sai da Rússia rumo ao Canadá e cruza polo Norte em caminhões

Em Ottawa

2013-05-17T10:13:49

17/05/2013 10h13

Viajar entre a Rússia e o Canadá de caminhão, através do polo Norte, é possível: após percorrer 4.000 quilômetros, muitas vezes abrindo caminho no gelo com uma picareta, exploradores russos retornaram - de avião - ao seu país, após uma odisseia que durou dois meses e meio.

A expedição Marine Live-Ice Automobile, que tinha como objetivo testar caminhões especialmente projetados com pneus de baixa pressão, também foi a aventura de um grupo de velhos amigos sonhadores, atraídos pela "necessidade espiritual dos grandes espaços", explicou o líder do grupo, Vassili Ielaguine, durante escala em Ottawa, no Canadá.

Os sete aventureiros receberam o apoio das autoridades russas, que os transportaram de barco ao seu ponto de partida e forneceram combustível "quase gratuitamente". Mas eles mesmos construíram os caminhões, usando peças recuperadas de seus protótipos, com os quais alguns deles já tinham chegado ao polo Norte em 2009.

Mas desta vez eles foram muito mais longe, transportando três toneladas de combustível diesel para os motores Toyota 2.0, e realizando com autonomia total uma viagem de mais de 4.000 quilômetros: 2.600 quilômetros em 60 dias sobre o gelo flutuante do arquipélago russo de Severnaya Zemlya, na Terra do Norte, rumo ao oeste e, depois, cerca de 1.700 quilômetros mais sobre o banco de gelo costeiro mais sólido, até chegar a Resolute Bay, no Canadá. O grupo tinha, inclusive, uma reserva de 150 litros de combustível no fim da expedição.

Avançando "na velocidade de um trator, ou seja, 10 quilômetros por hora", viram em cinco ou seis ocasiões ursos brancos, "que não manifestaram uma agressividade especial", segundo Ielaguine, assim como focas.

Mas foi o encontro frente à frente com um grupo de morsas, já no "lado canadense", o que mais os impressionou. Segundo Ielaguine, eles também tiveram a oportunidade de ver "uma aurora boreal excepcional", que iluminou o céu inteiro.

Proibido andar sozinho

Em algum momento, "o céu nos ajudou", contou Ielaguine, ao descrever o momento em que os expedicionários encontraram um grande abismo nos gelos flutuantes, difícil de ver e impossível de ultrapassar, que quase os obriga a rodeá-lo sob o risco de que a nova rota representasse centenas de quilômetros a mais e acabasse com o combustível.

Mas, de repente, as placas de gelo se moveram e a brecha se fechou permitindo aos caminhões avançar. Dois minutos depois de passar sobre o gelo para o outro lado, a enorme fenda voltou a se abrir, relatou Ielaguine.

A principal medida de segurança foi que o caminhão que liderava o comboio arrastava atrás de si uma corda de 200 metros. Assim, se o gelo - às vezes, coberto por uma camada de neve que não permitia medir sua espessura - cedesse sob o peso do veículo da frente, os outros caminhões poderiam rebocá-lo dando marcha à ré, trazendo-o de volta à superfície.

"Não gostávamos de cair na água porque representava perder três horas limpando a suspensão, completamente coberta de gelo", explicou Ielaguine.

Outra precaução foi que ninguém caminhasse sozinho pelo gelo para evitar cair nas águas geladas do Ártico, o que, representaria a morte quase certa por hipotermia.

A recepção dos canadenses no último dia 9 de maio, em Resolute Bay, foi extremamente calorosa, lembraram os exploradores russos, cujos caminhões ficaram guardados em garagens nesta pequena cidade à espera do trecho seguinte da aventura.

Em fevereiro do ano que vem, a Expedição Marine Live-Ice Automobile deve voltar à estrada rumo ao Oeste e atravessando o Estreito de Bering - em seu trecho Norte, sobre gelo sólido - para retornar à costa russa do Pacífico.

Os veículos que participaram da aventura foram batizados de Iemelia, em homenagem ao personagem de uma fábula russa, preguiçoso, mas capaz de viajar no forno de uma cozinha mágica onde dorme. Eles poderão ser comercializados: em sua chegada a Moscou, Ielaguine tem previsto reunir-se com diversos interessados em sua fabricação.

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