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Ministra do Meio Ambiente ganha prêmio da ONU por reverter desmatamento

Do UOL, em São Paulo

2013-09-19T14:17:39

2013-09-19T14:51:27

19/09/2013 14h17Atualizada em 19/09/2013 14h51

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, recebeu, na noite desta quarta-feira (18), o prêmio Campeões da Terra 2013, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da ONU (Organização das Nações Unidas), por "esforços bem sucedidos para reverter o desmatamento na Amazônia".

"Na Amazônia hoje, nós temos algumas iniciativas em curso de natureza científica do governo brasileiro em parceria com a Embrapa, com o Inpe, que é o caso do programa Terra Classe, identificando essas áreas, o que aconteceu com o que foi desmatado. E nós sabemos que da ordem de 18% a 20% da Amazônia já estão em restauração natural. E com a prática do Código Florestal, com a identificação do cadastro ambiental rural, temos condições de identificar estrategicamente as áreas que devem ser prioritárias nessa restauração", disse a ministra à rádio ONU.

Izabella Teixeira ganhou o prêmio Campeões da Terra na categoria "Liderança Política". Sua contribuição em painéis de alto nível da ONU sobre desenvolvimento sustentável também foi destacado. 

Brasil

Segundo o Pnuma, a ministra teve "papel central" na implementação de políticas do uso da terra, controle e prevenção do desmatamento. A agência da ONU cita dados do governo brasileiro, afirmando que nos últimos oito anos, houve uma redução de 84% do desmatamento, com o índice de redução anual da cobertura verde caindo de 27 mil km² em 2004 para 4,5 km² em 2012.

Ainda como parte do combate ao desmatamento, o governo brasileiro tem investido no reforço à fiscalização e no uso de imagens de satélite para rastrear novas clareiras e mudanças nas florestas. Foram criados 250 mil km² de áreas protegida, equivalente a 75% do total mundial de florestas protegidas.

A ministra destacou o protagonismo do Brasil na agenda ambiental. "Dedico este prêmio a todos os brasileiros que lutam pela preservação do meio ambiente", afirmou.

O prêmio é destinado a líderes de governo, da sociedade civil e do setor privado que se destacam na atuação pelo meio ambiente. Izabella foi premiada na categoria Liderança Política por, entre outras conquistas, ter desempenhado papel importante na redução do desmatamento na Amazônia e por sua atuação internacional em defesa do meio ambiente.

A ministra declarou estar honrada com a premiação, destacando o fato de ser analista ambiental e funcionária de carreira do governo brasileiro. "Este é um prêmio que reconhece e determina que a gente faça mais porque a sociedade brasileira tem condições de alcançar o desenvolvimento sustentável mais rápido do que qualquer país no mundo, não só pelas riquezas ambientais que nós temos, mas também pela união do povo", acrescentou.

Izabella Teixeira recebeu o prêmio Campeões da Terra das mãos da embaixadora da Boa Vontade do Pnuma, a modelo Gisele Bündchen.

Outros vencedores

Liderança política

Janez Potocnik, Comissário para Meio Ambiente da União Europeia, foi homenageado em reconhecimento ao trabalho na transição do modelo atual de intenso consumo de recursos, incluindo a definição de metas até 2020 para a União Europeia reduzir pela metade o desperdício de comida e praticamente eliminar lixões. Seu papel contra a ineficiência de recursos na cadeia de produção de alimentos contribui substancialmente para a campanha Pensar.Comer.Conservar – Diga não ao Desperdício.

Visão empreendedora

Brian McClendon, do Google Earth, foi premiado por desenvolver uma ferramenta para monitorar o meio ambiente, permitindo que pesquisadores possam detectar desmatamento e estimar a biomassa de florestas, demonstrar a escala real de problemas ambientais e ilustrar soluções. O Google Earth foi usado para auxiliar no resgate de mais de 4 mil pessoas após o Furacão Katrina e, na Austrália, um cientista utilizou a ferramenta para identificar uma barreira de corais desconhecida em uma área destinada para exploração de petróleo e gás natural.

Jack Dangermond, do Environmental Systems Research Institute (ESRI), foi homenageado pela sua dedicação para que organizações de pesquisa, educação e sem fins lucrativos tenham acesso a informações geográficas e tecnologias de visualização. Em 1989, o Programa de Conservação do ESRI começou a mudar a maneira como essas organizações promovem iniciativas de conservação. O programa oferece o Sistema de Informação Geográfica (SIG), além de dados e treinamento que ajudam a coordenar esforços entre organizações.

Ciência e inovação

Veerabhadran Ramanathan, Professor do Instituto Scripps de Oceanografia da UCSD foi premiado pelo trabalho pioneiro com carbono negro, Atmospheric Brown Clouds (ABCs) e a pesquisa sobre como a redução das emissões de carbono negro pode contribuir para a mitigação das mudanças climáticas. Ramanathan mostrou que ABCs levam ao escurecimento da atmosfera, influenciam a temporada de chuvas na Ásia, afetam a colheita de arroz na Índia e têm papel preponderante no derretimento das geleiras do Himalaia. Membro do Painel de Consultoria Científica da Coalizão pelo Ar Limpo, Ramanathan coordena agora o Projeto Surya, que tem o objetivo de reduzir as emissões de fuligem na Índia rural.

Inspiração e ação

Martha Isabel Ruiz Corzo, Diretora do Grupo Ecológico Sierra Gorda, foi homenageada pela dedicação na região de Sierra Gorda, no centro do México, que combina militância, educação pública e geração de renda. Pati, como Martha Isabel é conhecida, foi responsável por obter para Sierra Gorda o status de reserva da biosfera em uma parceria público-privada. Graças ao seu trabalho, 33% do estado de Querétaro está protegido. Centenas de famílias da região recebem um total de mais de US$ 2 milhões com a venda de créditos de carbono.

Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, foi reconhecido pelo seu trabalho visionário em melhorar a eficiência e a sustentabilidade das cadeias mundiais de agricultura e alimentação. O movimento Slow Food possui mais de cem mil membros e está presente em 150 países, defendendo tradições alimentares locais, protegendo a biodiversidade e promovendo a produção regional de alimentos em pequenas de qualidade.

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