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Ricky Hiraoka


Primeira bailarina do Municipal do Rio dá expediente no Carnaval

Divulgação
Claudia Mota, coreógrafa da Império Serrano Imagem: Divulgação
Ricky Hiraoka

Formado em jornalismo pela USP e pós-graduado em roteiro pela FAAP, Ricky Hiraoka foi colunista social na revista VEJA SÃO PAULO e na L'Officiel, colaborador de títulos como Glamour, Estilo e Boa Forma e apresentador da TV Marie Claire. Como roteirista, escreveu as séries Z4 (SBT/Disney), Eu, Ela e Um Milhão de Seguidores (Multishow), alem do reality show Fábrica de Casamentos (SBT/Discovery) e o humorístico Ceará Fora da Casinha (Multishow).

2019-01-29T04:00:00

29/01/2019 04h00

Considerada uma das profissionais de dança mais prestigiadas do Brasil, Claudia Mota, primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, também atua no Carnaval. Ela é a responsável pela coreografia da comissão de frente e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Império Serrano, escola pelo qual obteve notas máximas dos jurados e foi vencedora de vários prêmios em 2016. "Carnaval é uma arte e dá uma visibilidade incrível, apesar de momentânea", afirma. "Se você fez esse trabalho bem-feito, as pessoas sempre se lembrarão. No balé, as pessoas se esquecem do que você faz." 

Nascida em Ramos e criada entre Madureira, Olaria e Penha, Claudia era frequentadora das quadras da Imperatriz Leopoldinense e da Império Serrano desde criança, mas nunca imaginou que poderia levar o conhecimento que tinha em balé para a Sapucaí (veja a programação dos desfiles do Grupo Especial do Rio).

Em 2005, quando recebeu o convite para desenvolver um trabalho na Tradição -escola de samba carioca que neste ano desfila na Série B-, ela conta que ficou apreensiva. "Existia dúvida por parte dos membros da escola sobre o que poderíamos acrescentar ao Carnaval", lembra. "Hoje, eles nos admiram por colocamos mais beleza nas coreografias. Trouxemos um ar de sofisticação ao desfile, porque misturamos movimentos de dança com interpretação."

Claudia, que vivenciou o período de crise do Teatro Municipal (época em que os funcionários ficaram sem receber salário), agora enfrenta o problema da falta de incentivo governamental às escolas de samba. "Essa diminuição da verba pública fará falta ao Carnaval carioca", acredita. "Estamos nos virando na base da criatividade e da paixão para montar esse espetáculo."

Neste ano, a Império Serrano levará para a Sapucaí um samba que falará sobre as belezas da vida, e Claudia promete uma comissão de frente que celebrará o otimismo. "Minha coreografia trará a esperança para a avenida", conta. "Quero mostrar que o brasileiro é capaz de se reinventar o tempo todo, que é um povo que consegue sempre dar a volta por cima e que não merece ser olhado com piedade."