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Temperatura do planeta pode subir quase 5ºC até fim do século, estima IPCC

Do UOL, em São Paulo

27/09/2013 07h59

A temperatura do planeta subirá quase 5 graus Celsius (ºC) até 2100, afirma a previsão mais pessimista do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado nesta sexta-feira (27). 

O painel reunido em Estocolmo, na Suécia, analisou quatro cenários possíveis sobre as mudanças climáticas até 2100. No caso mais otimista, a elevação da temperatura varia entre 0,3°C e 1,7ºC no período 2081-2100 frente à média observada entre 1986 e 2005.

Já na hipótese mais pessimista, o planeta ficará entre 2,6ºC e 4,8°C mais quente na mesma comparação. Os especialistas apresentaram essa variação baseada em quanto o planeta pode emitir, nas próximas décadas, de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera.  

É que o IPCC considera agora "extremamente provável" que a influência da atividade humana seja a principal causa do aquecimento global observado desde meados do século 20. Os especialistas calculam esta certeza em 95% contra os 90% do relatório anterior, divulgado em 2007, que considerava "muito provável" a responsabilidade do homem.

"Para limitar a mudança climática é necessário reduzir substancialmente e de forma duradoura a emissão de gases do efeito estufa", afirma Thomas Stocker, vice-presidente do painel.

Aumento do nível do mar

O órgão também revisou para cima as previsões sobre o aumento do nível do mar, uma das principais consequências do aquecimento global.

Os 259 especialistas de 39 países diferentes disseram ter aperfeiçoado a medição do fenômeno do degelo das geleiras da costa da Groenlândia e do Antártico, que eleva o nível do mar. Agora, o grupo do IPCC informa que a elevação das águas pode ficar entre 26 cm, no melhor cenário, e 82 cm, na pior estimativa, durante o século 21, contra a projeção de 2007, muito criticada por anunciar elevação entre 18 cm e 59 cm.

"Nosso trabalho é apresentar conclusões científicas. No relatório reafirmamos a urgência de reduzir as emissões. Espero que esta seja a mensagem que o mundo aprenda", afirmou Rajendra Pachauri, presidente do IPCC.

O Painel afirma que a mudança climática afetará os processos do ciclo do carbono, impulsionando o aumento de CO2 na atmosfera e, por sua vez, a acidificação dos oceanos - que já absorveu 30% das emissões geradas por atividade humana.

A concentração de gases cresceu a níveis "sem precedentes", especialmente a de CO2, que é 40% maior agora do que na era pré-industrial devido às emissões de combustíveis fósseis. Além disso, esse provável aumento de temperatura também vai provocar fenômenos extremos com mais frequência.

"As ondas de calor acontecerão com mais frequência e durarão mais tempo. Com o aquecimento da Terra, acreditamos que acontecerão mais chuvas nas regiões úmidas e menos nas regiões secas, mas teremos exceções", disse Stocker.

Novo acordo climático

Criado há 25 anos pela ONU (Organização das Nações Unidas) , o IPCC tem por objetivo estabelecer um diagnóstico para orientar as decisões das autoridades políticas e econômicas, mas não propõe medidas de ação concretas. O relatório divulgado hoje é o primeiro de uma série informes que serão publicados até 2014. Os dois próximos volumes discutirão os possíveis impactos divididos por região do planeta e o último, que sairá até o mês de outubro do ano que vem, vai apresentar a síntese do estudo.

Quando estiver completo, o relatório servirá de base para as negociações internacionais sobre o clima que pretendem alcançar um acordo em 2015. Os 195 países participantes querem limitar a 2°C o aumento da temperatura na comparação com a era pré-industrial. Este ambicioso objetivo, porém, só será alcançado se for confirmado um aumento de 0,3°C durante o século 21, cenário em que há um drástico corte de emissões e novas políticas climáticas, ressalta o documento.

Mas é fato que o Painel do Clima da ONU destacou hoje que a temperatura da superfície terrestre deverá ultrapassar o aumento médio de 1,5°C até 2100, em relação à média de 1850 a 1900. A temperatura terrestre já aumentou quase 0,8°C desde a época pré-industrial, lembram os cientistas. 

"Sabemos que os esforços para limitar a mudança climática não são suficientes para inverter a tendência do aumento das emissões de gases do efeito estufa", disse Christiana Figueres, secretária-executiva da ONU sobre o clima. "Para tirar a humanidade da zona de perigo, os governos têm que adotar medidas imediatas e chegar a um acordo em 2015, na grande conferência da ONU prevista para Paris", completou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, agradeceu ao IPCC por sua "avaliação regular e imparcial" da mudança climática.

"Este novo relatório será essencial para os governos que trabalham para alcançar acordos ambiciosos e legalmente vinculantes sobre a mudança climática em 2015", completou Ban, em um discurso exibido durante a apresentação do texto. (Com agências internacionais)

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