PUBLICIDADE
Topo

PCC


PCC

Brasil e Paraguai costuram acordo por legalidade em força-tarefa contra PCC

Herculano Barreto Filho

Do UOL, em São Paulo

15/10/2021 04h00Atualizada em 15/10/2021 10h12

Em resposta a uma onda com sete assassinatos nos últimos dias na fronteira entre Brasil e Paraguai, forças de segurança dos dois países articulam uma força-tarefa para garantir a legalidade na troca de informações no combate ao narcotráfico na região.

A polícia paraguaia investiga a ligação entre as mortes e as ações do PCC (Primeiro Comando da Capital). Os crimes envolvem atentados contra políticos, um policial e um suspeito de ser informante da polícia em uma investigação que resultou na prisão de membros da cúpula da facção criminosa, em março deste ano.

O assunto foi abordado em uma reunião ontem entre autoridades dos dois países no Centro de Comando da Polícia Nacional do Paraguai, que determinou o início de um planejamento com ações conjuntas contra a ação de grupos criminosos na fronteira.

Foi uma reunião para conhecer as autoridades paraguaias e dizer que estamos em contato com o governo brasileiro. Essas tratativas de cooperação devem ser feitas entre os dois governos. A Polícia Militar participou por se tratar da primeira presença do Estado na linha de fronteira."
Major Luciane Gonçalves Camiato, subcomandante da PM de Ponta Porã (MS)

"Foi só uma primeira reunião com quem está na linha de frente. Mas, quando se fala de combate ao crime organizado, as tratativas passam a envolver os governos dos dois países. Aí, serão discutidas as tratativas para uma ação mais prolongada de combate ao narcotráfico", afirmou, em entrevista ao UOL.

O delegado Marcos Werneck, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que também participou da reunião, reforçou a importância de um acordo —sobretudo para a validação de provas em investigações contra o crime organizado.

"Durante a reunião, foi conversado especialmente sobre a tratativa de um acordo [entre os governos do Brasil e Paraguai] que facilite a cooperação entre as forças policiais. Há aspectos legais que enfrentamos para combater o crime organizado. Foram levantadas questões sobre a necessidade de um acordo entre os países que facilite o compartilhamento de informações e provas", disse Werneck.

Procurado pelo UOL, o Ministério da Justiça informou já ter firmado em junho deste ano um acordo com o governo paraguaio para "regularizar e otimizar" a segurança na fronteira entre os países em um acordo de enfrentamento ao crime organizado. Contudo, disse desconhecer um novo pacto entre os dois países.

Policiamento reforçado na fronteira

Comandante da PM de Ponta Porã, o tenente-coronel Ozevaldo Santos de Melo explicou que o policiamento na cidade na fronteira com o Paraguai mais que dobrou após a recente onda de assassinatos com o reforço do Departamento de Operações de Fronteira, Polícia Civil e Polícia Rodoviária. Mas ele não revela o efetivo das forças de segurança no município por questões de segurança.

"Diante das mortes nos últimos dias, Brasil e Paraguai passaram a tratar de uma integração maior entre as forças de segurança, com o planejamento de um conjunto de ações para combater o crime organizado", revelou.

'O PCC é um problema para os dois países'

Especializado no combate ao crime organizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, o juiz federal aposentado Odilon Oliveira disse que um acordo deste tipo precisa contar com a participação dos governos federais dos dois países. Mas critica a demora para uma tomada de decisão.

"Tem que haver uma atuação conjunta permanente com troca de informações, facilitando o livre acesso dos policiais. Mas esse tipo de ação já deveria estar ocorrendo há pelo menos 15 anos. O crime organizado cresceu muito. E o PCC hoje é um problema para os dois países", avalia. "O governo federal precisa abrir os olhos para a atuação do crime organizado na fronteira."

Onda de mortes nos últimos 5 dias

A onda de assassinatos começou na última sexta-feira (8), quando o vereador Farid Charbell Badaoui Afif foi morto a tiros em Ponta Porã (MS). No dia seguinte, uma chacina deixou quatro mortos na saída de uma casa noturna em Pedro Juan Caballero.

Bilhete foi deixado na cena do crime - Reprodução/Twitter/La Nación Paraguay - Reprodução/Twitter/La Nación Paraguay
Bilhete foi deixado na cena do crime
Imagem: Reprodução/Twitter/La Nación Paraguay

Um outro atentado ocorreu na noite desta terça-feira (12), quando o corpo do policial federal Hugo Ronaldo Acosta foi encontrado dentro de um carro em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. De acordo com o jornal La Nación, os tiros atingiram uma casa, onde foi deixado um bilhete em português: "Para de oprimir a população lá dentro porque vamos pegar vocês como pegamos anteriormente os companheiros seus", diz o texto.

13.out.2021 - Homem morre e outros dois ficam feridos em ataque na fronteira entre Brasil e Paraguai - Reprodução da internet - Reprodução da internet
13.out.2021 - Homem morre e outros dois ficam feridos em ataque na fronteira entre Brasil e Paraguai
Imagem: Reprodução da internet

Na quarta (13), atiradores em motos atacaram um grupo de pessoas em Capitán Bado, cidade paraguaia próxima de Pedro Juan Caballero, deixando um morto e dois feridos. Segundo a polícia paraguaia, o alvo do ataque era o vereador Ismael Valiente. Atingido no rosto e no braço, o político foi levado às pressas para um hospital, onde está internado em estado estável.

PCC